segunda-feira, 30 de setembro de 2013

Cavalgada

Danielle estava estacionando o carro nas terras que em breve se tornariam suas. O delicado sol da manhã, junto com a suave brisa que assoprava, e o som das folhas das árvores tornava o dia e o local deliciosos e ainda mais belos. Parou o carro debaixo de uma árvore e desceu, observando tudo ao seu redor. Logo viu um senhor se aproximar e com um sorriso aconchegante a cumprimentou:
         - Bom dia, moça! O que faz por esses lados?
         - Bom dia... Sr Edward?
         - Ah, não! Sou um antigo funcionário da fazenda. O Sr Edward saiu para a cavalgada da manhã. Ele sempre acorda cedinho e sai por aí, mas já deve estar chegando. A sra quer esperar lá dentro?
         Danielle voltou seus olhos para a casa. Passara muitas vezes por ali, sonhando com o dia em que aquele pedacinho do paraíso poderia ser seu. Observava a casa, grande e já velha, as paredes desbotadas, marcadas pela chuva e pela terra, as enormes janelas de madeira, pintadas em azul, tudo era tão lindo, tão harmonioso que parecia uma tela de pintura, dessas belas paisagens vistas em exposições. O lugar era doce, calmo e mágico. Enquanto se encaminhava para a entrada da casa, ouviu o trotar de um cavalo se aproximando. Percorreu com os olhos tudo em volta e logo viu o animal surgir no topo da colina e se aproximar com velocidade.
- Ah, olha lá o Sr Eduardo chegando!
Danielle não conseguia desviar o olhar daquela cena. Edward cavalgava com maestria. Corpo levemente arqueado para conseguir velocidade, mãos segurando forte as rédeas, pernas ocupando perfeitamente o jeans desbotado e descendo rígidas ao longo do animal. Seus cabelos negros voavam e brilhavam emoldurando seu rosto, barba por fazer e um encantador par de olhos castanhos claros, que refletiam os raios do sol. Parou próximo aos dois, despertando Danielle de seu fascínio.
- Sr Edward, essa moça quer lhe falar.
- Comigo, Allan?
- Sim, sou Danielle, conversamos por telefone algumas vezes, nossos advogados tem organizado todo o processo da compra da fazenda, mas como eu havia lhe dito, gostaria que conversássemos pessoalmente e...
- Ah, sim, claro. Vamos entrar, sra Danielle.
- Por favor, apenas Danielle, não me faça sentir a idade chegando.
Edward riu alto. Olhou para Danielle, seus cabelos longos, dourados e esvoaçantes, olhos cor de mel, misteriosos, intensos. Passeou os olhos por seu corpo delicado, mas bem torneado, tudo em perfeita harmonia. A camisa branca, desabotoada mostrava seu colo levemente bronzeado, a calça colada ao corpo e as botas até os joelhos lhe davam um ar sensual e selvagem.
- Uma mulher tão bela e claro, ainda jovem, não deveria se preocupar com isso. – E voltando-se para Allan:
- Por favor, prepare dois cavalos. Deixe o meu descansando, o fiz correr bastante por hoje. Acredito que Danielle queira sair para um passeio, para conhecer o local.
- Ah, sim, seria ótimo.
- Bem, enquanto Allan prepara os cavalos, vamos até a cozinha tomar um café...
Edward conduziu-a através da grande sala, repleta de móveis antigos, num visual rústico muito bem organizado. Na cozinha serviu o café nas duas xícaras, oferecendo uma a Danielle.
- Mas me conte Danielle, por que tanto interesse por esse pedaço de fim de mundo?
- Bem... desde criança passo por aqui, na estrada onde inicia sua propriedade. Alguns familiares possuem terras mais adiante. Porém, sempre achei sua fazenda muito especial, a paisagem é linda, as colinas, as árvores enormes e essa casa! Tudo parece que foi muito bem escolhido para montar esse belo e harmonioso cenário.
Nesse instante Allan entrou na cozinha avisando que os cavalos já estavam preparados. Os dois se levantaram e logo se afastavam da casa, seguindo pelas colinas.
Enquanto cavalgavam, ele contava um pouco sobre a fazenda, que herdara de seus avós. Os pais moravam em outro estado, e preferiam o progresso e a cidade, ao clima tranqüilo do campo. Edward tinha seu apartamento na mesma cidade dos pais, possuíam uma empresa onde ele também atuava, mas sempre que podia, passava alguns dias na fazenda. Gostava do silêncio, da tranquilidade do campo. Era bom respirar o ar puro, nadar nas cachoeiras que havia por ali, sem contar das longas cavalgadas pela manhã e nos finais de tarde. Olhou para Danielle que estava ainda mais linda ao cavalgar. Corpo ereto, cabelos voando soltos...
- Que tal uma corridinha?
E dizendo isso, Edward disparou com seu cavalo, descendo a colina. Danielle manteve seu ritmo, pouco cavalgava quando visitava a fazenda da família, não gostava, tinha receio de não controlar o animal. Se sentia tensa e sem dúvida preferia caminhar. Edward notou que ela não o acompanhara e voltou.
- O que foi? A mocinha está com medo?
- Não costumo cavalgar muito e correr então jamais!
 - Não se preocupe, o campo é limpo, sem obstáculos. É bom sentir o vento, a liberdade, a velocidade...
E dizendo isso, acertou com uma das mãos o cavalo de Danielle, assoviando alto e fazendo com que o animal disparasse. Ela segurou como pode as rédeas, tentando afirmar as pernas em torno do cavalo. Edward ficou parado por alguns instantes, se divertindo com a cena. Mas então se arrependeu e foi atrás de Danielle. Ela já estava longe, lutando para se manter sobre o cavalo. Tentou puxar um pouco as rédeas e parar o animal, mas o efeito foi o contrário do desejado. Ele seguiu em alguns leves saltos, lançou as patas dianteiras no ar e jogou Danielle ao chão, seguindo ainda mais adiante, até parar. Ela caíra debaixo de uma árvore frondosa, sobre suas folhas e a grama que tomava todo o campo, amortecendo a queda. Logo Edward se aproximou, apressou-se em deixar o cavalo e correr até ela.
- Desculpe-me Danielle... você se machucou? Venha, vou levá-la de volta em meu cavalo e vamos até o hospital!
- Calma, Edward, não me machuquei. Mas você poderia ter me matado! Mais cuidado com suas brincadeiras!
- Me desculpe novamente, não pensei que pudesse acontecer... Venha, deixe eu lhe ajudar a se levantar.
Dizendo isso, estendeu a mão para que Danielle segurasse. Quando ela tentou se levantar, sentiu uma forte dor no pé direito, provavelmente alguma torção, e então sentou-se novamente. Edward preocupou-se.
- Deixa eu te ajudar a tirar essa bota...
Livrou o pé de Danielle do calçado e da meia, segurou-o e tentou fazer com que se movimentasse, porém notou que ela sentia dor. Passou então a massageá-lo de leve, dobrou a barra da calça até os joelhos dela e deslizou novamente as mãos até seu pé. Danielle que estava distraída pela dor, levantou os olhos e observou Edward. Ele estava absorto, tocando seu pé. Na verdade sentia a pele macia e quente daquela mulher, ela ali tão próxima, sua beleza que combinava tão bem com a paisagem daquela manhã iluminada. Notou que ela o observava e então buscou seu olhar. Os raios de sol faziam com que os olhos amendoados de Danielle ficassem ainda mais belos. Ele mantinha uma das mãos no tornozelo dela, a outra apoiada no chão. Os dois em silêncio, sustentavam aquele olhar. Era possível ouvir o farfalhar dos pássaros, o ruído das folhas das árvores bailando com o vento, e era quase possível ouvir o bater descompassado daqueles dois corações e suas respirações ofegantes.
Edward se aproximou de Danielle, joelhos dobrados, e o corpo apoiado sobre eles. Tocou com uma das mãos o rosto dela, sua pele macia, ainda vermelha pelo susto. Sentiu seus lábios macios e não resistiu, beijando-a docemente. Ela se deixou levar pelo momento, totalmente envolvida, esqueceu da dor e agora uma sensação deliciosa a invadia. Ele a aconchegou em um forte abraço, sentindo o perfume suave de seus cabelos. Se afastou um pouco e livrou-a da outra bota. Então, deitou-a suavemente sobre a grama, enquanto a beijava com desejo. Logo suas mãos passeavam por seus cabelos, desciam por seu pescoço, parando nos botões da camisa, aquele mesmo botão que chamara sua atenção quando se conheceram. Desabotoou-o, percorrendo de leve seu colo com as pontas dos dedos. Danielle sentia o corpo se arrepiar com o toque de Edward. Ele então abriu cada botão vagarosamente, e agora seus dedos passeavam por ela, pescoço... seios... barriga... agarrou com força sua cintura, beijando-a mais uma vez, mordiscando seus lábios, passando de leve a língua por eles. A mão passou da cintura para o botão da calça, também logo desabotoado. Edward desceu o zíper da calça de Danielle, sua mão entrando por aquele espaço. Ela não continha o seu desejo, aquele homem era enlouquecedor, seu toque era delicioso. Queria senti-lo ainda mais e então, livrou-o da camisa, deixando seu peito nu, forte, quente e tão próximo. Pode tocá-lo, passeando suas mãos por seus braços, seu peito, suas costas.
Edward alcançou o desejo de Danielle. Descendo a mão entre sua calça e por dentro da calcinha, seus dedos invadiam todo aquele calor. Ele sentia vontade de deixá-la nua e possuí-la tão breve, porém lutou contra seu desejo, queria prolongar aquele momento. Ela já estava molhada de prazer, e então ele roçou o dedo entre seus pelos, abrindo espaço através da roupa, invadindo-a com facilidade. Danielle tinha uma das mãos cravadas nas costas dele, a outra deslizava por seus cabelos macios, enquanto ela beijava seu pescoço, mordiscava a orelha, percorrendo-a suavemente com a língua e sentindo o corpo dele também se arrepiar. Os dedos de Edward brincavam com ela, dentro e fora, causando uma sensação enlouquecedora. Sem aguentar mais, ela mesma tirou a mão dele de si, seus olhos fixos nos dele, e então beijou-o com fervor.
Ele arrancou a calça de Danielle, levando junto a calcinha, enquanto ela fez o mesmo, livrando-o de suas roupas. Se colocou sobre ela, o corpo curvado para permitir que se beijassem, para que se sentissem ainda mais próximos. Enfim, Edward guiou-se bem devagar para dentro dela, abrindo-a aos poucos. Ela o sentia cada vez mais ali dentro de si, até que a alcançou bem fundo. E lá, completamente encaixado, seus corpos colados, pressionando um ao outro, fundidos em um só desejo, ele afastou-se um pouco, mantendo os olhos fixos nos dela, tomou com cuidado cada uma de suas pernas, colocando-as sobre seus ombros, e iniciou um ir e vir forte, mas sem pressa. A cada vez que se retirava um pouco dela, voltava com mais desejo. Ela sentia as mãos de Edward em suas coxas, apertando cada vez mais. Então ele aumentou o ritmo, o silêncio fazia com que a respiração de ambos parecesse ainda forte e descompassada.
Edward arrastou Danielle para mais perto, retirando seus quadris do chão. Ela se mexia, lançando seu corpo ao encontro dele. O olhar que sustentavam até então cedeu, seus olhos se fecharam e ambos explodiram num leve gemido, num intenso prazer. Danielle desceu suas pernas ao chão e ainda com Edward dentro de si, levantou-se levemente, buscando seus braços. Permaneceram assim, abraçados por algum tempo, ouvindo a música da natureza e de seus corpos que cantavam um para o outro.
Ele a deitou novamente no chão e também se acomodou ao seu lado, fazendo com que ela repousasse a cabeça em seu peito. Aquele momento era tão especial que nem sentiam o desconforto do chão, seus corpos em contato com a grama. Porém, Edward se preocupou:
- Uma mulher com um corpo tão lindo e macio não deve ficar se esfregando na grama.
E sorrindo afastou-se dela, esticando as duas camisas ao pé da árvore, sentando-se e também convidando Danielle a juntar-se a ele. Ela observou seu corpo ali, nu, recostado na árvore e então se aproximou vagarosamente, permitindo a ele observar toda aquela mulher. Abaixou-se ao seu lado e sussurrou em seu ouvido:
- Agora eu vou te mostrar que posso ser bem melhor cavalgando...
Passou uma das pernas sobre ele, as mãos apoiadas em seus ombros. Sentou em seu colo, atiçando seu desejo. Beijou-o... os lábios quentes, molhados, as línguas se tocando, se enroscando. Afastou uma das mãos do corpo de Edward, ergueu-se o suficiente para que pudesse levá-lo novamente para dentro de si. Desceu devagar, ouvindo ele gemer baixinho. Ela apoiou suas mãos no tronco da árvore, mexia os quadris, rebolando de um lado para o outro. Ele então alcançou seus seios, que estavam bem ali, prontos para serem abocanhados. Beijou-os, a pele tão alva e macia, percorreu cada um deles com a língua, sugando-os levemente, enquanto ela dançava deliciosamente sobre ele.
Danielle então iniciou sua cavalgada, subindo o máximo para que ele não escapasse de si, e descendo com fúria, impetuosamente. Edward mantinha as mãos em seus quadris, sentindo o ir e vir de seu corpo, às vezes deslizando por suas pernas, subindo por suas costas, passeando por seus seios... Ela estava sobre ele, porém ele a dominava, tomando para si cada parte do corpo dela. Danielle estava novamente a ponto de explodir, impôs mais velocidade, soltando o ar fortemente a cada descida, seus cabelos colados ao corpo suado. Ambos mantinham agora os olhos fechados, sentindo o calor um do outro e toda aquela sensação de que nada mais existia. Seus corpos pulsavam, indicando que o êxtase se aproximava, clamando por isso. Ela então se aproximou o máximo que pode de Edward, roçando e pressionando todo seu corpo contra o dele. Envolveu-o com seus braços, se movendo ainda mais rápido. E então, numa descida forte e intensa, seus corpos alcançaram o orgasmo, em espasmos de prazer. Ambos com um leve sorriso no rosto, ainda ali, abraçados, se tocavam com carinho. As palavras ainda não se faziam necessárias, só o toque de seus corpos, suas mãos, suas bocas... era suficiente.
O sol já estava mais forte, o calor aumentara e era tempo de voltar para o abrigo da casa. Edward porém lembrou-se que estavam próximos de uma bela cachoeira e convidou Danielle para se refrescar um pouco. Apesar do pé ainda doer, ela aceitou e notou que podia ouvir o ruído da água caindo nas pedras, indicando que estava mesmo bem próximo.
Poucos passos depois, uma leve descida, e a bela cachoeira descortinava-se através das árvores. Estampando no rosto a alegria de um menino, ele preparou-se e pulou, mergulhando nas águas cristalinas. Ela entrou aos poucos, a água ainda estava fria. Fechou os olhos e mergulhou também, para molhar os cabelos, e quando voltou a abri-los, se deparou com Edward em sua frente. Seus olhos faiscavam de desejo, os cabelos molhados ainda mais negros, o leve sorriso ainda iluminando seu rosto. Envolveu Danielle em seus braços, suspendeu-a no ar, rodopiando nas águas que corriam vagarosamente. Quando a devolvia ao chão, ela enlaçou sua cintura com as pernas, sorrindo maliciosamente. Ele segurou seus quadris, afastou-a um pouco, enquanto mais uma vez, ela o guiava para dentro do seu corpo sedento. Com as pernas, ela impulsionava o corpo para cima, flutuando, e ele a puxava novamente para baixo. A água deslizava por seus corpos e Edward também deslizava entre as pernas de Danielle. Eles se completavam, lançavam-se um ao encontro do outro, num desejo mútuo que não tinha fim.


O contraste do sol quente com a água fria trazia arrepios que percorriam o corpo dos dois, o ruído na água, suspiros, gemidos, tudo aumentava ainda mais aquela sensação de prazer. Ela sentiu Edward pulsar dentro de si, e aumentou o ritmo, se entregou totalmente a ele, sentindo cada pedaço do seu corpo tocando no dela, subindo e descendo num espaço curto, forte, rápido, até que, assim como a água escorrendo entre as pedras, ele também escorreu para dentro dela mais uma vez.
O sol queimava impiedoso, mas o calor que tomava conta do Edward e Danielle não era por conta do astro rei. O desejo que sentiam um pelo outro os aquecia. Seus olhos se fundiam em um só raio de luz. Já vestidos, deixavam a cachoeira para trás, alcançando o campo novamente. Caminharam um pouco em busca dos cavalos e logo os encontraram. Edward colocou Danielle junto a si, prendendo o outro cavalo junto do seu, para que pudessem seguir até a casa. Cansados, seguiram cavalgando vagarosamente, apesar do calor. Ela mantinha os braços enroscados em torno de Edward, as mãos em seu peito, tocando sua pele através da camisa abotoada apenas até a metade. O vento ainda soprava levemente, as árvores acompanhavam bailando no ar. Ela se sentia leve, e extremamente alegre. Por seus pensamentos passava a ideia de que precisaria conhecer melhor aquelas terras antes de realmente fechar o negócio. Um sorriso enigmático brilhou em seus lábios. Sim... ela precisaria de mais alguns dias ali, percorrendo as belas colinas na companhia de Edward, sentindo seu corpo, seus beijos, sendo novamente invadida por ele, até que, quem sabe, aquele fogo deixasse de queimar dentro de si...

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Juan e Rúbia - 1º round...

Juan atravessou apressado o portão velho do galpão, semblante carregado, expressão desafiadora. Não havia ninguém ali naquele horário, o local usado para os treinos estava vazio. Precisava descarregar um pouco de energia. O dia na empresa não fora fácil. Entrou, foi até o simples vestiário, tirou a roupa de trabalho e colocou o short que havia deixado no armário. Parou em frente ao octógono, sentia o sangue ferver, coração acelerado, o silêncio fazia com que ouvisse seu próprio corpo funcionando. Resolveu colocar as luvas e aquecer um pouco. Quando treinava esquecia de tudo, sua mente ficava vazia e se concentrava apenas nos golpes, na técnica, nos movimentos do seu corpo. O dia estava quente e Juan já suado. Entrou no octógono. Seu adversário era imaginário, se desviava de seus golpes e lhe aplicava outros. Estava tão concentrado que não ouviu o ruído do portão se abrindo e nem os passos que indicavam a presença de mais alguém.
Rúbia estava na sacada da sua casa, buscando um pouco do frescor do início da noite quando viu Juan entrando no galpão. Sempre o observava, sua pele morena, olhos negros, lábios que pareciam tão macios. Ela o desejava, nutria uma certa paixão por aquele homem há algum tempo, desde a época da juventude, quando era a tímida da turma e ele o pegador, o descolado e popular. Naquela noite talvez o calor tenha aumentado ainda mais esse desejo, e num ato louco, Rúbia resolveu descer e ir até o galpão atrás dele.
Entrou, o portão velho denunciando a sua presença. Ainda assim seguiu, com passos lentos, parou a uma certa distância dele, apenas o observando. Seu corpo se movimentava com agilidade, os músculos rígidos com o esforço, o suor banhando cada parte. Rúbia sentia o coração acelerado, a respiração descompassada. Ele ainda não havia notado sua presença e ela não sabia se permanecia onde estava, se aproximava-se mais ou ainda se corria para longe antes que fosse descoberta. Mas... já havia percorrido o caminho até ali. Já deixara a sensatez na sua sacada quando decidiu segui-lo. Não era mais a menina boba da turma, era uma mulher independente, decidida e, naquele momento, sentia-se extremamente corajosa.
Resolveu se aproximar mais, foi caminhando devagar, estava tão perto e ainda assim Juan não a notara. Parecia estar em outro mundo, Olhos semicerrados, braços e pernas se revezando nos golpes.
Rúbia também já não era mais dona de si, não controlava seu desejo, sua vontade em sentir o corpo suado dele junto ao seu. Tirou os sapatos, entrou no octógono, parou nas costas de Juan, seus ombros largos, fortes... Observava cada contorno do corpo dele e enfim segurou-o pelo braço, apertando forte sua mão na pele quente de Juan, que sentiu um arrepio a lhe percorrer, e assustado se virou rapidamente, encontrando Rúbia ali dentro, descalça e envolta em um vestido leve, solto. Observou seus olhos, fixos nele, sua boca entreaberta, a respiração acelerada.
- Rúbia... o que você está fazendo aqui?
Ela não respondeu, a voz sem forças para sair. Pousou sua mão no peito de Juan e deslizou por seu corpo, levando as gotas de suor, sentindo sua pele macia. Estava envolvida, mergulhada naquele momento. Juan se sentia perdido, sem saber o que fazer, surpreendido pela situação. Mas o desejo estampado nos olhos de Rúbia havia também deixado seu corpo em alerta. Ela se aproximou ainda mais, os lábios colados nos ouvidos dele, sussurrando.
- Você não sabe quantas noites eu sonhei com isso. Há quanto tempo minhas mãos desejam tocar seu corpo e todas as vezes em que eu  te imaginei dentro de mim...
Juan sentiu seu corpo estremecer de prazer, segurou forte na cintura de Rúbia, deslizou as mãos até suas pernas, levantando o vestido e a trazendo para mais perto, pressionando o seu corpo contra o dela. Ela sorriu, sentindo entre suas roupas finas o desejo de Juan crescendo. Afastou um pouco o rosto e ofereceu seus lábios, que ele aceitou em um beijo forte, sua língua invadindo a boca de Rúbia sem pudor. O calor aumentava , o beijo não tinha fim.
Juan lançou Rúbia na tela de proteção, arrancou seu vestido e foi descendo sua língua desde o pescoço dela, passando pelos ombros, até alcançar seus seios e se demorar por ali. Com os olhos fechados e tentando respirar, Rúbia se sentia enlouquecer de desejo. Ele lambia seus seios, mordiscava, chupava, e ela já não aguentava mais aquela tortura. Enfim sua língua quente seguiu o caminho que o corpo dela lhe oferecia, desceu até suas pernas que tremiam sem forças. Juan puxou com força sua calcinha, deixando-a totalmente nua e entregue. Parou por alguns instantes para observá-la, notando os belos contornos de seu corpo. Nunca havia percebido o quanto Rúbia era linda e desejável. Apoiou uma das mãos em sua perna e com a outra tocou-a delicadamente. Ela gemeu baixinho, já estava molhada e totalmente pronta. E então, como se sentisse fome por aquela mulher, chupou-a profundamente, misturando sua saliva com aquele líquido de prazer. Juan a invadia com sua língua e ela delirava, seu corpo prestes a explodir. E quando ela pensava que não seria capaz de aguentar mais, ele levantou-se e num ímpeto, sem aviso, sem tempo para pensar, a penetrou fundo e com facilidade, ambos prontos para aquele momento.
Apoiados na tela, Juan afastava seu corpo e novamente se lançava sobre Rúbia, que se agarrava à ele e às cordas nas suas costas. Ele segurou uma das pernas dela com força e passou em torno da sua cintura. Ela equilibrava-se e se sentia mais perto de explodir. Ele então levantou-a um pouco, fazendo com que agora, tivesse as duas pernas enlaçadas em seu corpo. As mãos de Juan sustentavam suas costas junto da tela. Ele mantinha os dentes trincados, esperando o momento certo de soltar todo seu prazer, num ir e vir profundo e forte. Rúbia sentia seus dedos pressionados em sua pele. Seus corpos deslizavam de suor, pulsavam, e com Juan ocupando completamente aquela mulher, os dois alcançaram juntos as estrelas, ele soltando seu corpo sobre o dela, as mão agarrando as cordas, enquanto as dela se enterravam em seus braços fortes. Rúbia voltou seus pés ao chão, respiravam profundamente. Juan afastou-se um pouco.
- Rúbia! Que loucura foi essa? O que você veio fazer aqui?
- Juan... eu... eu preciso de você agora, mais... muito mais!
Juan não conseguiu dizer não e beijou-a ardentemente. Rúbia forçou-o a cair sobre o tatame e também se lançou sobre ele. Mordiscava sua orelha, suas mãos passeando por todo aquele homem. Foi beijando cada pedaço do seu corpo moreno, sentindo o sal do suor. Ele ainda a desejava, seu corpo mostrava isso, e então, Rúbia segurou forte seu sexo com uma das mãos, enquanto a outra deslizava por uma das pernas. Abocanhou-o repentinamente e sentiu todo o corpo dele respondendo àquela sensação. Lambeu-o vagarosamente, cada pedacinho, a outra mão ainda a passear por sua coxa. Colocou-o novamente na boca, sugando e roçando levemente os dentes, subindo e descendo lentamente, saboreando-o com desejo, querendo muito mais! Ouvia a respiração de Juan mais forte e então aumentou o ritmo.
- Rúbia... eu não aguento mais... você está me deixando louco!
Ela colocou seu corpo sobre o dele, uma das mãos apoiadas no tatame enquanto a outra o guiou para dentro de si. Estavam completamente molhados... de suor... de prazer. Seus olhos se cruzaram e se mantiveram fixos um no outro. Rúbia mordia o lábio inferior contendo seu desejo, seus olhos faiscavam e os dele também. Ela então iniciou uma cavalgada lenta, ele a alcançava fundo, o atrito entre seus corpos era perfeito. As mãos de Juan percorriam o corpo dela, às vezes faziam uma pausa e cravavam novamente com força toda aquela loucura. Rúbia apoiou-se em seu peito, descendo ainda mais rápido, a flexibilidade do tatame fazia tudo ficar ainda melhor. Eram tantas sensações, desejo, calor, suor, perigo, surpresas... Isso só aumentava o prazer que sentiam.
Juan também estava totalmente entregue, observando aquela mulher cavalgando sobre ele. De repente, num golpe rápido, a que ele estava acostumado, colocou-a de quatro, segurou forte seus quadris e ocupou-a vorazmente. Rúbia não encontrava ar para respirar, era tudo tão intenso... E então ele deu início a um ir e vir torturante, retirando-se quase totalmente dela e voltando rápido. Ela o sentia todo ali dentro, seu pulsar, a umidade... Também sentia suas mãos a segurá-la cada vez mais forte. Rúbia lançava seus quadris ao encontro dele, e sentindo o desejo de Juan  próximo, agarrou sua coxa, dobrada sobre os joelhos ao lado de seu corpo, e se entregou a ele, recebendo em troca um suspiro profundo e sentindo ele se derramar dentro dela uma vez mais. Banhados de suor e prazer, caíram sobre o tatame molhado, Rúbia de costas para Juan, ele ainda dentro dela... e ela ainda sentindo o seu pulsar. Ficaram assim por alguns segundos, era loucura demais o que estavam fazendo, mas também era prazeroso demais.
- Rúbia, não podemos ficar aqui, você precisa ir...
- Eu vou Juan. Você tem uma toalha por aí pra eu me enxugar e me vestir?
- No vestiário...
- Me leva até lá?
Juan levantou-se, Rúbia o seguiu. Logo estavam no vestiário. Ele abriu a porta de um dos muitos armários, pegou uma toalha e entregou a Rúbia. Ela segurou-a, mas a lançou no chão, se aproximando de Juan, esfregando-se em seu corpo, fazendo com que fossem até um dos chuveiros, dando vazão à água fria, que em contato com seus corpos quentes, causou um choque agradável. Suas mãos deslizavam por todo o corpo de Juan, enquanto ela o beijava com volúpia, desejando que aquele momento não tivesse fim. Ele, novamente cedendo aos seus instintos, lançou Rúbia contra a parede lateral do espaço destinado ao banho, segurou suas mãos e a provocou ainda mais, deslizando seu corpo pelo dela, pressionando-a sem que ela nada pudesse fazer.
- Juan, por favor... eu quero você! Eu quero você dentro de mim!
Ele então suspendeu os quadris dela, Rúbia novamente o encaixou entre suas pernas. A água do chuveiro escorria pelas costas de Juan, que a segurava com força enquanto ela se abria para ele. Eles se completavam com maestria e conseguiram mais uma vez proporcionar um ao outro o êxtase do prazer.

Rúbia se agarrou a ele, sem imaginar o que poderia ocorrer a partir daquele dia e daqueles momentos deliciosos. Mas não tinha tempo e nem forças para pensar nisso agora. Estava eufórica por finalmente ter aquele homem a quem tanto desejara junto de si, dentro de si... E se dependesse de todo o desejo que mantivera guardado por tanto tempo, ele ainda a ocuparia por outras vezes, muitas outras vezes...

Para vocês... boa luta!!! E que nunca haja perdedores... que todos vençam... vençam de prazer!!!

sábado, 21 de setembro de 2013

Sonho...

         As garrafas vazias sobre a mesa indicavam que eu realmente já havia ultrapassado o limite entre a lucidez e uma leve embriaguez. Tudo estava muito mais bonito e eu... extremamente alegre e solta. A cervejaria mantinha a qualidade nas bebidas e o velho amigo a indicar as melhores opções para cada gosto, porém o espaço em nada se parecia com o local tão conhecido por mim. Mesas na calçada, grandes portas abertas e, sem dúvida, o visual antigo me agradava mais. Nem mesmo meu velho cantinho das tardes fugidas do trabalho, sempre em boas companhias, estava lá. Mas a situação também era outra. A galera toda sentada nas três mesas unidas, muito barulho, aquela loucura em que todo mundo fala ao mesmo tempo sobre todo tipo de assunto. As imagens embaçadas em meus olhos, mas o som... cada ruído ainda está gravado na minha mente. Ah, e eu ria, gargalhava sem nem saber do que! Do meu lado esquerdo uma cadeira vazia, que durante todo aquele tempo eu não sabia o que fazia ali.
         Garrafa também vazia, me levantei para buscar outra, um breve diálogo na escolha da próxima.
         - Essa é ótima! É forte, consistente, amarga, do jeito que você gosta!
         - Na verdade, não se espante, mas queria algo mais... suave!
         - Hum... bem... essa de trigo é uma boa opção.
         - Ok, então vamos à ela!
         Garrafa na mão, eu voltava para a mesa e ainda mantinha aquele diálogo à distância até que... A cadeira vazia havia encontrado alguém para ocupá-la. O encosto muito bem preenchido por costas largas, meus olhos alcançaram aquele braço que repousava relaxado, pulso de ossos fortes (fetiche estranho o meu por pulsos “largos”). Mas o que realmente fez meu corpo dar sinais e vibrar foi a perna que descuidada se esticava até a minha cadeira... pele morena, provavelmente quente... pelos... Talvez por alguns segundos eu tenha me esquecido de respirar, e nesses mesmos segundos o efeito do álcool parecia nem existir, para que eu admirasse imóvel aquele homem, para que meus desejos mais secretos passassem incessantes pela minha mente... sua boca na minha, seus braços me envolvendo com força, seu corpo nu junto ao meu, suas mãos tocando cada pedaço de mim. Ele talvez não tenha me notado ali atrás, ou fingiu que não. Me aproximei e toquei sua perna  para que devolvesse meu lugar e quem sabe meu juízo, levado pra bem longe naquele momento. Seus olhos se cruzaram com os meus e neles também faiscava o desejo. Minha cadeira estava novamente vazia e então me sentei... a garrafa esquecida em minha mão pousou sobre a mesa. Eu ainda estava mergulhada em seus olhos e ele nos meus. Não havia dúvidas de que ele mexia comigo, com meus pensamentos, com todo o meu corpo e que eu o desejava naquele instante enlouquecidamente.
         Despertei um pouco daquele fascínio, mostrei empolgada a garrafa, gelada na medida ideal, enquanto eu fervia e ardia num calor que nada tinha de ideal. Ele permanecia com os olhos fixos em mim, um leve sorriso. Enchi seu copo e depois o meu, e quando me voltei para ele, sua mão segurou fortemente a minha, repentinamente, causando uma sensação deliciosa que percorreu todo o meu corpo. Eu não ouvia nada, ainda que todos permanecessem em suas conversas e risos, e eu também nada via além dele. Era como se estivéssemos em uma redoma de vidro, fora do mundo, envolvidos pelo desejo. A outra mão pousou leve em meus joelhos. Os copos esquecidos, e também os amigos... os problemas... a vida... Seu corpo cada vez mais próximo, o meu a ponto de entrar em um colapso, e eu sempre esquecendo a ação básica e vital de respirar! Seus olhos se aproximavam, sua boca, sua mão subindo até minha nuca, seus dedos passeando pelos meus cabelos. Finalmente eu teria seu gosto no meu e, quem sabe, mais que isso... Fechei meus olhos para me entregar àquele momento e... o vazio, o frio, o escuro!!! De olhos novamente abertos, tudo havia desaparecido... bebidas, amigos, alegria, mãos, boca, beijos... a realidade mostrava minha cama vazia, meu quarto de sempre e o relógio indicando que já passava da hora de me levantar. Um sonho... tudo não passara de um sonho! Mas... algo ainda permaneceu... meus olhos ainda ardiam e meu corpo ainda o desejava. Nada que um pouco de realidade conseguisse afastar... Será?
        E quem nunca...???

domingo, 1 de setembro de 2013

Incansáveis

           
E lá estava eu mais uma vez, coração aos saltos, calor por todo o corpo, à espera de um único toque no telefone que indicasse o início de mais um dia divertido, para aliviar as tensões e claro, acalmar os hormônios, o que depois dos trinta anos passou a ser um grande desafio. O conhecimento real do meu corpo, meus desejos, fantasias, o que agrada ou não, tudo isso unido ao meu recente estado de solteira, fez com que a vontade constante por sexo, em quantidade e qualidade, aumentasse a cada dia mais. Talvez também por passar a me dar ao luxo de fazer o tal “sexo casual”, só por prazer, sem amor, sem o amanhã, sem o “me liga depois”, sem as terríveis expectativas de um futuro, de um relacionamento.
            Bem... sexo casual era o que eu aguardava ansiosamente agora, para aquela tarde. Mais uma vez, um encontro praticamente com um desconhecido, uma conversa pelo chat, uma sugestão de encontro, e a louca aqui confirmando com a difícil missão de encontrar numa cidade do interior, em plena quarta-feira, entre a manhã e a tarde, um local discreto para um primeiro contato, para quem sabe depois, um contato mais... íntimo, profundo, quente, prazeroso. Shopping não, clube menos ainda, muito cedo para um restaurante ou para minha cervejaria favorita que ainda estaria fechada. E eu nem sei por qual razão pensei naquele parque, mas... não havia outro lugar e eu não iria sugerir um motel assim tão rápido, apesar de ter sido meu primeiro pensamento. Não ficaria bem, já que ele não havia deixado claro se também era seu objetivo.
            Enfim o telefone indicava que ele havia chagado. O primeiro contato, beijo no rosto, sorrisos sem graça, risadas bobas e contra minha vontade e a do meu corpo, indiquei o caminho para o parque. A cada dia eu percebo que não tenho mais paciência para esses joguinhos chatos que antecedem uma boa trepada e que, às vezes nem chegam ao adjetivo “boa”. Mas lá estávamos nós, sentados no banco, debaixo das árvores, na frente da pista de apresentação de algumas provas com cavalos e outros eventos.
            Agora que parei para escrever isso, percebi que nem sei o que conversamos, acho que algo sobre trabalho, um pouco sobre a minha separação, é só o que me lembro. Enquanto eu falava automaticamente as coisas, meu cérebro pervertido criava várias cenas com aquele homem, minhas mãos arrancavam suas roupas, passeavam por seu corpo, eu beijava aquela boca deliciosamente carnuda, do jeitinho que eu adoro. Eu podia sentir o seu calor, não ali do meu lado, mas em mim, e logo dentro de mim. Quanto mais isso ia durar?! Também não sei quanto tempo ficamos ali conversando, até que sua mão pousou em meu joelho, ele estava mais próximo de mim e então um doce beijo. Finalmente ele me perguntou se queria ir para um lugar mais “reservado”. Não contive o riso e me esforcei para não deixá-lo ainda mais envergonhado perguntando diretamente se para um motel. Gosto das coisas mais claras e diretas, mas às vezes me esforço para tentar ser mais delicada.
            Eu já estava tão envolvida, tão enlouquecida, que o caminho parecia mais longo para a minha necessidade de tê-lo dentro de mim. Eu estava pronta, molhada, quente... Enfim o quarto, como eu amo esse cheiro! Realmente os quartos de motéis são mesmo totalmente envolventes, eu sentia tanta falta disso quando casada, dessa atmosfera, da ideia de um local com a única intenção de abrigar o prazer das pessoas.
            Joguei meus sapatos para um canto qualquer, me sentei na cama, ainda vestida, e ele me acompanhou, sentando-se de frente para mim. Eu percebi que poderia ficar ali, parada por um bom tempo, admirando seus lindos olhos, e agora mesmo, ao escrever sobre isso, os vejo tão reais na minha frente e percebo que estou sorrindo.
            Eu ficaria sim ali, admirando-o, mas não fico. Me aproximo mais e beijo novamente aqueles lábios tão macios, me enrosco em seu corpo, nos seus braços e agora sim posso sentir seu calor. Em pouco tempo nossas roupas estão espalhadas pelo chão e eu já estou sobre ele. Meus lábios descem por seu corpo, depositando suaves beijos em cada pedacinho, até encontrar sua rigidez. Ainda não me detenho ali, passeio por suas pernas e só então volto para gora me focar em seu ponto de prazer. O seguro com uma das mãos e com a outra acaricio a parte interna da sua coxa, e então, inicio uma sessão de lambidas e leves mordidas, da ponta até a base, mais uma vez... e outra... e quando ele não espera, coloco-o todo na boca, desenhando círculos com a língua ao seu redor, chupando e fazendo questão dos ruídos, subindo e descendo primeiro bem devagar e depois, com mais velocidade. Posso ouvir sua respiração forte, descompassada e através dela sei o momento exato de parar e me lançar sobre ele. Seus braços me envolvem, meu corpo se arrepia todo, eu o encaminho para dentro de mim e ele me preenche totalmente. Paro por alguns segundos para senti-lo ocupando meu espaço e então, eu o cavalgo. Quase não acredito como que, em tão pouco tempo, meu corpo já dá sinais de que está quase lá, isso nunca me aconteceu antes, praticamente sem preliminares e ... sem esperar meu cérebro se esvazia, meu corpo entra em ebulição e transborda. Eu realmente não posso acreditar, mas mesmo assim meu corpo não ouve a minha dúvida, minha respiração cessa por alguns segundos e eu sinto o pulsar incessante do meu espaço ocupado por ele. Mas eu não paro, continuo ainda mais, buscando forças onde não há e tentando descobrir como ele conseguiu me arrancar um orgasmo tão fácil!
Depois de alguns ou talvez vários bons minutos, estou com a cabeça recostada em seu peito. Eu me vejo em seu jeito agitado, remexendo alguma parte do corpo o tempo todo, e não consigo deixar de rir e observar que hoje não sou mais assim, tão ansiosa.
Logo ele está preparando a banheira, sorrindo e se divertindo como um menino e é essa a mágica presente em seus olhos e que me enfeitiçou, quando ele sorri, seus olhos sorriem junto e muito mais que isso, há um brilho que ofusca todo o resto e o meu mundo para só para que eu me deixe iluminar por ele.
A água está quente, mas nossos corpos estão mais, então logo se acostumam. E pra quem imagina uma banheira de hidromassagem como algo pra se relaxar, esse não foi o nosso caso. O que se seguiu foi uma maratona incansável de sexo delicioso. Meu corpo batendo contra a água e contra o dele, suas mãos me segurando... eu podia senti-las tão bem, cada dedo e a pressão que exerciam. E o principal e mais excitante é que eu pude senti-lo pulsar dentro de mim, derramar-se a ainda assim continuar com a mesma vigorosidade e rigidez do início. Também não tenho a mínima noção do tempo que passei ali, sobre ele, num ir e vir constante e enlouquecedor, sem que em nenhum momento ele estivesse totalmente fora de mim, ele ocupou meu corpo e o possuiu por completo durante muito tempo e, pra ser sincera, ele ainda possui.
Quando sai da banheira, parecia que tinha uns cem quilos, minhas pernas relutavam em se mover e caminhar e se a cama estivesse um pouco mais longe, não sei se a alcançaria. Me joguei sobre ela, e ele também, uma sensação deliciosa de paz me invadiu. Me recostei novamente em seu peito e notei que não havia mais toda aquela agitação. Então senti falta dos seus olhos e levantei o rosto para buscá-los. Notei seu olhar perdido, seus pensamentos distantes e antes que eu lhe perguntasse, notando que eu o observava, ele mesmo o fez:
- Que foi?
- Nada, só estou te olhando.
E eu não esperava mais nada, já me aconchegando novamente, porém ele continuou...
- Sabe... fazia tanto tempo que eu não me sentia tão bem... há anos não curto uma banheira assim...
Eu ainda vejo seus olhos e ouço sua voz me dizendo isso, e mais... sinto meu coração apertado ao ouvi-lo. Eu havia passado por tudo aquilo, havia abandonado a mim mesma e a tudo o que eu tanto gostava para viver uma outra vida, casada, cuidando de tudo e de todos. Não que eu me arrependa venha com aquele velho discurso de que “não deu certo”. Sim, deu certo por um tempo, por muitos anos até, mas depois que tudo passou, eu sei que não faria da mesma forma. E agora, revivendo tudo isso, acho que foi nesse exato momento em que eu fiz a besteira de me apaixonar por ele, por seus olhos brilhantes, seu sorriso emoldurado por aquela boca perfeita, seus cabelos pretos que corriam deliciosamente pelos meus dedos... ah, e claro, aquela parte do seu corpo que era capaz de me deixar totalmente louca e que era moldado para se encaixar perfeitamente dentro de mim.
Com toda aquela maratona aquática, achei que a brincadeira havia chegado ao fim. Eu havia saído com outros homens nos últimos meses e notei que a maioria precisava de um bom descanso por um longo período para brincar mais, o que às vezes me deixava frustrada, porém a coisa ali era realmente diferente.
Começou com alguns beijinhos, logo ele estava sobre mim e os tais beijinhos foram parar mais para baixo, meu clitóris sensível por tudo o que já havia acontecido, me transmitia a sensação de suaves e deliciosos choques. Por ali ele me beijou, lambeu, chupou. Eu já estava louca para tê-lo dentro de mim e então ele voltou, beijou minha boca com meu próprio gosto na dele, com os braços fortes se virou e me levou com ele, agora eu estava novamente por cima, mas não durou muito, ele se afastou do meu corpo, eu já sabia do seu desejo. Então mantive os cotovelos apoiados, e também os joelhos, sustentando meu corpo. Ele se posicionou logo atrás de mim, suas mãos segurando meus quadris, até que uma delas se soltou e o guiou, entre minhas pernas, minha pele, meu corpo. Ele tomava conta de mim outra vez. Um vai e vem rápido, forte e profundo teve início. Logo sua respiração sinalizava o prazer se aproximando... mais... cada vez mais. Eu forcei meus quadris contra o corpo dele com toda a energia que ainda possuía e então o seu silêncio, presente até aquele momento, deu lugar a um breve gemido e ele me segurou ainda mais forte contra seu corpo que vibrava em espasmos de prazer. Em segundos nós desabamos na cama, em um amontoado de cansaço, alegria e satisfação.
Sim, meus hormônios pós trinta estavam totalmente calmos e controlados, mas meu coração já dava sinais de um descontrole que eu ainda não desejava, ainda mais sabendo que um “nós” era completamente impossível. Mas... eu não poderia dizer que foi uma transa e só, foi tão mais que isso! E de repente, eu queria que isso fosse suficiente para ele nunca mais se afastar de mim, mas infelizmente... não era...

"Esperar dói. Esquecer dói. Mas não saber se deve esperar ou esquecer é a pior das dores"

Beijinhos pra todos...