
O
belo carro com os vidros escuros, impedindo o reconhecimento dos seus
passageiros, acabara de ser estacionado na garagem do prédio bancário. O
motorista abrira a porta permitindo a Eva sair do veículo. Detestava ter que
resolver seus assuntos financeiros, pagava aos seus representantes para que
fizessem esse trabalho, porém algumas transações necessitavam da sua presença
física e não apenas a assinatura. Atravessou o grande hall de entrada, deixando
uma leve brisa do seu delicioso e marcante perfume. Subiu com o elevador até o
andar da sala privativa onde já era aguardada. A porta do elevador abriu-se,
Eva foi recebida pela secretária com um sorriso de admiração e inveja. Era isso
que mais a perturbava quando precisava sair, notar sorrisos forçados que escondiam
outros sentimentos. Ninguém sabia o quanto havia batalhado para conseguir a
posição que tinha hoje, desejavam ter sua fama e fortuna como se fosse um golpe
de sorte da vida, mas não era.
Atravessou
mais um corredor, acompanhada da secretária.
-
Senhorita Eva, o gerente responsável por sua conta foi transferido para outra
unidade bancária, vou apresentar-lhe seu novo gerente.
-
Mas Ethan estava inteirado de tudo sobre meus assuntos financeiros. Não quero
ter problemas por conta de um novo gerente.
-
Fique tranquila, o Sr Ryan já analisou todas as suas contas e demais
aplicações. A senhorita não terá nenhum contratempo.
-
Assim eu espero!
A
porta da última sala foi aberta para que Eva entrasse. A secretária avisou que
Ryan estava na sala anexa, buscando a documentação necessária e pediu que se
sentasse, retirando-se imediatamente e fechando a porta. Em seguida Ryan
surgiu, os olhos percorrendo os papéis que tinha nas mãos. Não notou a presença
de Eva de imediato. Ela observou seu belo corpo, bem definido, braços fortes
que ocupavam perfeitamente as mangas da elegante camisa em tom azul claro. Se
remexeu na cadeira provocando um ruído que despertou a atenção de Ryan.
-
Bom dia, senhorita Eva, desculpe-me, não notei sua presença.
Eva
acompanhou sua boca em perfeitos contornos se movimentar e estremeceu com o som
aveludado da sua voz. Realmente era um homem interessante.
-
Bom dia! –respondeu tentando parecer calma e disfarçando seu interesse
imediato.
-
Bom Srta Eva, aqui está toda a documentação da transferência entre as duas
contas, conforme foi solicitado.
-
Por favor, me chame apenas de Eva... onde devo assinar?
-
Confira os valores e assine na linha pontilhada e também no verso.
Ryan
iniciou uma série de explicações sobre a documentação, os valores, o que
renderiam, mas Eva apenas o observava. De repente começou a imaginá-lo mais
próximo. Seus lábios paravam de falar e passavam a beijá-la com intensidade.
Suas mãos deixavam a caneta e estavam passeando por seu corpo. Sua camisa daria
lugar à sua pele, revelando seu corpo ali junto ao dela...
-
Tudo correto Eva?
-
Ah, sim... claro. –Ryan a despertava de seus devaneios.
-
Ótimo! Mais alguma coisa em que eu possa ajudar?
-
Não... mais nada, obrigada.
Precisava
levantar-se para se despedir, mas seu corpo estava flutuando. Mexeu levemente a
cabeça, tentando espantar aquelas fantasias. Pegou a bolsa e ficou de pé. Ryan
já estava ao seu lado. Ofereceu a mão para um cumprimento de despedida. Eva
retribuiu e sentiu uma corrente de energia percorrer seu corpo ao tocar as mãos
de Ryan.
-
Tenha um bom dia, Eva!
-
É... só mais uma coisa... Ethan, meu outro gerente, costumava atender-me em
casa, no meu escritório, para evitar confusões com os fãs e a imprensa e... –foi
interrompida por Ryan:
-
Ah, sim, claro! Fique a vontade para quando precisar.
-
Que ótimo... bom dia Ryan! E obrigada!
Ryan
apenas acenou de leve com a cabeça, abrindo a porta para que Eva saísse,
deixando a sala impregnada com seu perfume e sua forte presença. Ele, por sua
vez, não pode deixar de notar a beleza daquela mulher, a pele rosada, o corpo
bem torneado, realmente era muito bonita, elegante, desejável e totalmente
envolvente. Era preciso ter cuidado para não desejar uma relação com aquela
mulher que não fosse estritamente profissional. Mas isso já era o que desejava.
De
volta em sua casa, Eva não conseguia parar de pensar em Ryan. Estava envolta em
suas fantasias quando Phil bateu na porta do quarto, entrando em seguida.
-
É Dave no telefone.
-
Ah! Diga que não estou, ou que estou ocupada.
-
Eva, ele ligou a manhã toda, melhor atendê-lo.
-
Tudo bem...
Pegou
o telefone contrariada.
-
Alô... o que foi Dave?
-
Onde você estava Eva? Estou tentando falar com você a manhã toda!
-
Precisei resolver alguns problemas. Mas o que foi?
-
Hoje à noite é a festa beneficente na casa do Sr e da Sra Spencer. Precisamos
estar lá e juntos! A que horas passo aí?
-
Puxa... havia me esquecido! Vou com o motorista, passo aí às nove!
Desligou
o telefone sem se despedir e chamou Phil, que logo estava a seu lado.
-
Por favor, preciso que você organize tudo para a festa beneficente de hoje à
noite.
-
Sim, Eva...
...
A
bela mansão estava totalmente iluminada. O motorista seguiu pela entrada,
levando Eva e Dave até a recepção. Muitos convidados já haviam chegado. Eva
desceu do carro, deslumbrante, em um longo vestido nude com fios dourados. Ao
seu lado, Dave aproveitava a fama de sua acompanhante para conseguir destaque
na mídia. Foram levados até a mesa reservada para o casal. Logo o garçom se
aproximou com a garrafa de champagne, servindo os dois e deixando-a sobre a
mesa. O silêncio reinava entre os dois... Dave por ser um homem supérfluo, sem
assunto, e Eva por não conseguir parar de pensar em Ryan.
Logo
a anfitriã subiu em um palco, agradeceu a todos pela presença e deu início à
festa. Primeiramente dois jovens cantores, homem e mulher, se alternavam
cantando suaves canções. Eva percorria os olhos pelo salão quando de repente
avistou Ryan. Fechou os olhos, pensando ser apenas sua imaginação, mas quando
voltou a abri-los ele continuava lá. Ryan sentiu que era observado e logo
encontrou os olhos de Eva. Mexeu os lábios em um oi e ela lhe retribuiu com um
tímido sorriso. Alguém ao microfone anunciava o início do leilão. Eram várias
obras de arte, entre pinturas e esculturas. Eva mantinha o corpo ali, sentado,
mas seus pensamentos, seus sentidos estavam em Ryan. O barulho das pessoas
animadas com os lances passava desapercebido.
-
Eva... não vai ofertar nenhum lance?
-
Lance? Ah... sim, vou.
O
homem no palco, distintamente vestido, segurava um belo quadro, mostrando um
lindo jardim com um flamboyant bem ao fundo. Ele iniciou o lance. Alguém
aumentou... outro... mais um. Eva então dobrou o lance. Silêncio geral seguido
da frase comum a indicar que o quadro agora pertencia a ela.
-
Pronto Dave, já aparecemos o bastante, agora me deixe em paz!
Dave
observou Eva. Ele não se importava com nada, só queria usá-la para alavancar
sua carreira. Avistou alguns amigos do outro lado do salão e foi até lá. A
música voltara e agora, belas valsas invadiam o ambiente. O garçom se
aproximou, deixou nova garrafa de champagne e depositou ainda, do lado do copo
de Eva, um pequeno papel dobrado. Ela voltou-se para ao garçom para
perguntar-lhe o que era aquilo, mas ele já havia se afastado. Observou à sua
volta... todos distraídos com a música ou envolvidos em conversas. Desdobrou o
papel com cuidado e leu a frase escrita em belas letras: “Você está linda! É
sem dúvida a mulher mais deslumbrante da festa. Quem sabe não me conceda a
gentileza de uma dança?” Observou a assinatura com o coração disparado...
“Ryan”. Procurou por Dave, que estava junto de seus amigos, tão
desinteressantes quanto ele. Achou engraçado pensar que estava gostando daquele
homem que nada tinha para oferecer além da sua beleza física. Estava tão ou
mais vazio que ela mesma. Então procurou por Ryan entre a multidão de mesas e
pessoas, até que seus olhos se encontraram. Ele sorria, se divertindo com a
situação. Eva também sorriu. Viu Ryan se levantar e se aproximar, lhe
entregando uma pequena e delicada flor.
-
Para a mais bela mulher que pude observar essa noite! Vai aceitar meu convite?
-
Claro, depois de toda essa gentileza...
Os
dois então passearam pelo salão, dançavam como se há muito se conhecessem. Por
vezes seus olhos se encontravam, seus corpos trocavam calor, energia. O mundo
ao redor havia desaparecido. A música dera espaço ao ruído dos convidados, uma
breve pausa. Para Eva foi como se acordasse de um sonho, caindo na realidade. Assustou-se,
olhou para Ryan e depois procurou por Dave. Ele continuava entre seus amigos.
De repente se viu sendo levada por Ryan para o imenso jardim. Sem reação,
apenas o seguia. Logo se viu sob um flamboyant idêntico ao do quadro leiloado.
-
Ryan, o que estamos fazendo? Preciso voltar, e se Dave...
-
Eva! Dave está envolvido com seus amiguinhos, nem notará sua falta. Vamos
aproveitar um pouco essa bela noite.
E
dizendo isso, envolveu-a em seus braços, beijando-a com ardor. Eva sentiu seu
corpo se incendiar. Nunca experimentara aquela sensação. Queria ficar ali para
sempre. Ryan despertara seus sentimentos mais profundos.
-
Eva, vamos sair daqui...
-
Não posso Ryan! As pessoas irão notar.
-
Estão ocupadas demais se exibindo e às suas fortunas. Venha, vamos no meu
carro.
Não
conseguiu mais resistir. Seguiu-o.
Eva
não sabia como, mas já estava na garagem, portão fechado, observando a entrada
do quarto. Ryan deu a volta no carro, abrindo a porta para que ela saísse.
Sentia as pernas tremerem, coração disparado, respiração descompassada. Nenhum
homem ainda havia lhe despertado tantas sensações. Ryan tinha atitude, tomava
as iniciativas, e isso era tudo o que Eva vinha procurando, um homem de
verdade. Estava cansada de carregar seus relacionamentos sozinha... Além disso
era gentil, mas sem excessos. Ele fechou a porta, depositou as chaves do carro
na mesa e seus olhos se voltaram para ela. Aproximou-se, pegou suas mãos macias
e então a abraçou. Um abraço forte,
envolvente, aconchegante. Eva sentiu
vontade de chorar, de repente uma sensação de segurança a invadia. Pensou que
nunca havia recebido um abraço tão quente e que a fizesse se sentir tão
especial, desejava ficar ali por uma eternidade! Ryan segurou seu rosto com
carinho e a beijou com todo o desejo e ternura. As mãos dele agora, percorriam
seu corpo como ela havia imaginado no primeiro encontro, no banco, e a sensação
era muito melhor do que sua imaginação pudera produzir. Seus lábios passeavam
por seu pescoço, sua orelha e ela ouvia a forte respiração dele, o que lhe
causava arrepios e aumentava ainda mais seu desejo. Sentia seu corpo esquentar
com o calor vindo de Ryan e se esforçava por se controlar e aproveitar o
carinho que aquele homem lhe oferecia.
Vagarosamente
ele desceu o zíper do vestido de Eva, percorrendo suavemente com os dedos todo
aquele caminho. Escorregou as alças pelos braços dela e o vestido deslizou
fácil ao chão. Ryan se abaixou, tocando as pernas de Eva, retirando o vestido e
sapatos. Ela sentia tanta vontade de ser amada por aquele homem que desejava
estar logo na cama, mas também sentia o quanto era bom todo aquele carinho.
Desabotoou a camisa dele e pousou suas mãos em seu corpo quente e forte,
suspirou fundo. Ryan sorriu e a conduziu até a cama. Ela não conseguia explicar
como ele conseguia acender-lhe todo o seu desejo... era tão forte... tão
incontrolável e claro, tão bom!
Ryan
beijava cada parte do corpo de Eva, era extremamente carinhoso, sabia como
enlouquecer uma mulher. Quem visse o sério profissional em seu escritório,
jamais imaginaria sua sensibilidade. Seu toque tinha a suavidade e a força
ideal, causava arrepios... Eva sentia seu calor, seu corpo, sua respiração,
seus lábios e mãos passeando por ela. De repente se afastou um pouco, percorreu
com os olhos todo o corpo dela, parou em seus olhos, mergulhou neles...
-
Eva... você é linda... e está me enlouquecendo!
-
Não Ryan, você é quem está me deixando louca... louca de vontade de senti-lo
bem dentro de mim...
Despiram-se
então com voracidade, Ryan se encaixou entre as pernas de Eva, continuava
beijando seu pescoço, seu colo, seios... enquanto a preenchia num ir e vir
vagaroso, e depois forte, rápido, indicando que se aproximavam do prazer total.
E então num profundo suspiro, se presentearam... com um leve sorriso bordando
suas faces, relaxaram sobre a cama. Eva observando ainda com carinho aquele
homem, pensando em tudo o que acontecera. Notara tão só agora a tatuagem que
adornava suas costas e que combinava tão bem com seu corpo, deslizava seus dedos
por ela, pelos braços dele e se sentia a mulher mais feliz do mundo. Ouviu
então seu celular tocando dentro da bolsa, levantou-se com cuidado, para não
acordar Ryan, que suspirava ao seu lado. Era Dave... não atendeu, desligou o
aparelho e voltou para a cama, queria esquecer que existia um mundo lá fora!
Eva
acordou em um salto, dormira de repente, por alguns minutos. Ryan estava lá, ao
seu lado, os belos olhos que a observavam:
-
Eu ficaria toda uma vida aqui, só te observando...
-
Pois eu jamais permitiria que perdêssemos tanto tempo apenas nos contemplando,
com tantas coisas pra se fazer...
-
Ah, é... como o quê?
-
Um delicioso banho... pra começar... o que acha?
-
Perfeito... só um minuto que eu mesmo prepararei tudo
Ryan
desfilou seu belo corpo pelo quarto, e logo voltou. Para surpresa de Eva,
pegou-a no colo, sob protestos e se encaminharam para o amplo banheiro, que
possuía uma banheira linda, adornada por belas flores, a espuma cobria toda a
água e o aroma era delicioso. Eva não conseguia parar de rir, achando aquilo
tudo fantástico. Ryan colocou-a na água, que estava na temperatura perfeita e
entrou em seguida, ficando de frente para ela. Seus olhos não se desgrudavam e
transmitiam todo o desejo que ainda havia em cada um. Eva então se levantou e
se aproximou, beijando-o com toda a intensidade daquele momento. Ele, com as
mãos em sua cintura, a trouxe para ainda mais perto, acomodando-a sobre suas
pernas. “Preciso respirar”, pensava ela, sentindo que não havia espaço para o
ar dentro de si, todo tomado por tantas emoções. Com a força que ainda possuía,
grudou suas mãos nos braços dele e em um breve movimento tinha novamente Ryan
dentro de si. O amava com tanta loucura que era como se nunca mais fosse vê-lo,
tinha medo de que aquela noite terminasse e que tudo aquilo não voltasse a
acontecer novamente. Se mexiam junto com a água, numa dança de corpos, bocas,
mãos, e que a cada momento alcançava um ritmo diferente.
-
Eva... eu...
Eva
não permitiu que Ryan completasse a frase, calou suas palavras com um beijo
profundo e juntos, mais uma vez, chegavam às estrelas...
Puxa...
achei que não ia conseguir postar mais até as férias! Que correria! Eva e Ryan
ficaram esperando por um bom tempo. Mas, de repente, uma onda de romantismo me
invadiu e corri para terminar mais um trechinho dessa história, que por
enquanto está mesmo mais doce do que apimentada!!! Beijinhos... Jaque.