segunda-feira, 21 de abril de 2014

Projeção

Eu não podia mais ouvir meu coração. Eu precisava urgentemente fazê-lo se calar para que eu pudesse viver. Durante toda a semana ele me dominou e eu recusei cada convite que chegava, criando desculpas ou nem respondendo, ignorei cada elogio, me sentindo horrível, uma “velha incapaz de 33 anos”. E então me veio a raiva, sempre motivadora, senti raiva de mim e de toda a situação que eu causei, da dor que estava escolhendo viver todos os dias e dos momentos em que tentei criar uma falsa alegria. Não! Eu não precisava da solidão, do isolamento, do silêncio, eu precisava de um barulho ensurdecedor que fosse mais alto que meus pensamentos e desejos, eu precisava da multidão para ocupar meus olhos, eu precisava de algo que me mostrasse que eu era, ao contrário de como me sentia, uma “mulher atraente, madura, independente e desejada em seus 33 anos”.
Peguei o celular e respondi uma mensagem de um alguém que eu nem mesmo sabia o nome, já que havia o conhecido pelo nick em um determinado site. A mensagem perguntava quando podíamos nos conhecer, e eu mandei “que tal agora?”. A resposta veio imediatamente “Claro! Me passe o endereço!” Sugeri nos encontrarmos na cervejaria que guarda meu cantinho secreto, ao que ele também aceitou prontamente.
Eu já estava preparada, mais cedo, naquele mesmo dia, surgira um convite para um possível encontro ao qual eu muito desejava, eu havia decidido fazer uma surpresa e estava completamente “lisa”, eu precisava aproveitar, mesmo que não fosse como eu havia planejado.
Em meia hora eu deslizava a porta, entrando no ambiente agradável onde ele já me aguardava. Ele me conhecia por fotos e eu também a ele, e logo que me viu se levantou. Eu me aproximei e nos cumprimentamos com um beijo no rosto, sua mão forte em minha cintura, seu cheiro delicioso de homem. Ele era alto, bem alto, corpo forte, definido, mas sem exageros. Não aparentava os 35 anos que tinha, parecia ter bem menos, o rosto jovem emoldurado por uma barba crescida de poucos dias, bem cheia e espessa, os cabelos negros em desalinho, os olhos amendoados, expressivos.
Cumprimentei o amigo, proprietário do local, e apontando com os olhos para o meu cantinho escondido do outro lado de tudo, recebi seu sorriso cúmplice. Convidei aquele belo homem para me acompanhar e ele se divertiu ao notar que havia aquele espaço discreto e aconchegante, ideal para o momento.
O papo rolava agradável, enquanto saboreávamos as cervejas mais deliciosas, com sabores impressionantes e teor alcoólico também. Já estávamos bem “alegres” quando ele sugeriu sairmos dali para um lugar mais íntimo. Senti o coração disparado, mesmo sabendo antes mesmo de sair de casa, que essa era a real intenção daquele encontro e que eu já havia feito aquilo algumas vezes. Meu coração porém, ainda insistia em ter voz ativa, e me trazia um medo terrível de saber que iria para a cama com um super gato, mas com o pensamento longe dali. Então, mandei meu coração ir se ferrar, o que aliás ele faz tão bem, e respondi com um “claro” ao convite recebido. Seguimos no carro dele, e pelo caminho eu tentava tirar da mente tudo o que eu não deveria pensar, e só conseguindo piorando a situação.
Mal notei quando passamos pela portaria do motel e estacionamos na garagem. Ele abriu a porta do carro e eu despertei. Desci também, ele já tinha a mão estendida, esperando a minha para me conduzir pra dentro do quarto. Aquele cheiro que eu amava me tirou um pouco dos meus pensamentos e, quando eu respirava fundo ele me abraçou forte por trás, me virou em seus braços e me beijou. Eu me mantinha na ponta dos pés, sua mão esquerda pousava forte na base da minha coluna, enquanto a outra, em meu pescoço, deslizava pela minha nuca, entre meus cabelos, e voltava brincando com minha orelha. Sua língua quente invadia minha boca com desejo, me saboreando sem pressa, e eu adorava isso!
Sem nenhum esforço ele me pegou no colo e me deitou na cama ainda me beijando. Suas mãos agora percorriam o meu corpo. Ele beijava minha orelha delicadamente e roçava a barba em meu pescoço. Nesse momento eu conseguira calar completamente meu coração idiota, dando voz a outras partes do meu corpo. Sem pressa ele tirou minha blusa, seus dedos macios percorriam meu colo e a parte dos seios que estavam à mostra. Então ele se livrou da camiseta, desvendando a tatuagem, uma maravilhosa tribal tomava-lhe conta das costas, ombro e parte do peito. Desabotoou minha bermuda jeans e quando me inclinei para tirá-la, ele me disse com sua voz encorpada:
- Não! É tudo por minha conta! Você só tem que aproveitar e gozar pra mim até não aguentar mais.
Eu estremeci e então me entreguei. Como se tivéssemos todo o tempo do mundo, ele foi retirando cada peça de roupa e saboreando cada parte do meu corpo. Ele sabia bem onde e como tocar, e não deixava de me beijar e manter seu corpo o mais próximo do meu. Pele... contato... calor... isso me deixava louca! Eu já estava nua e ele também, seu corpo indicando que me desejava... e muito! Eu não era mais a “velha incapaz de 33 anos”, e sim a “mulher atraente e desejada de 33”, e isso me fazia sorrir. Então ele me olhou com os olhos faiscantes e disse, sussurrando:
- Agora eu vou me enfiar todo em você, quero estar dentro de ti, sentir seu calor, sua umidade... eu vou te deixar louca de prazer...
Dizendo isso, ele afastou minhas pernas e se colocou sobre mim. Com uma das mãos se guiou e começou a me invadir da mesma forma como fizera tudo até aquele instante, sem pressa, sem deixar de me tocar e me beijar. Ele roçava seu desejo na minha pele lisa, me invadia um pouco e tornava a se retirar, até que, de repente, de uma só vez, se colocou inteiro dentro de mim enquanto minhas mãos se agarravam em suas costas. Seu ir e vir era enlouquecedor, ele quase se retirava todo de mim e voltava com vontade, arremessando seu corpo contra o meu. Então me envolveu em um abraço e sem desgrudar seu corpo do meu, sentou-se na cama, me levando junto, mantendo as mãos em minhas costas e o meu corpo sobre o dele. Dobrei meus joelhos, minhas mãos apoiadas em seu ombro, e o cavalguei, completamente entregue ao nosso prazer, tocando seu corpo, roçando meus seios em seu peito e depois oferecendo-os para serem degustados por sua boca, o que ele fez com maestria. Aquela posição estimulava meu clitóris e eu já sentia os leves choques de um prazer louco se aproximando. O ritmo aumentara e nossas respirações soavam fortes.
- Você é uma delícia! Agora vem... goza comigo!
Eu não consegui responder, as mãos fortes dele desceram para os meus quadris, seus dedos cravados em mim, e então... então o “Big Bang”! O universo explodindo em pedaços de prazer. Eu o sentia vibrando dentro de mim, o orgasmo poderoso me fazia sorrir. Eu estava com um belíssimo homem que trabalhara meticulosamente para me proporcionar tamanho prazer, e ele também estava jorrando de prazer por mim, eu estava viva... e bem viva!
 Ele se levantou e me trouxe água. Sentou-se ao meu lado na cama, seus dedos deslizando pelos meus cabelos... ahhh, a paz! Como eu estava precisando daquilo. Queria me aninhar em seu colo, mas ele queria mais!
- Já recuperada princesa?
Não haviam se passado nem cinco minutos e ele me olhava com mais desejo ainda. Eu sorri, seus braços me envolveram e sua boca, mais uma vez, encontrou a minha. Eu queria enlouquecê-lo. Observei o mármore que adornava a cama, e que na cabeceira ficava bem acima do colchão. Era perfeito! Olhei para ele... me arrastei pela cama, de joelhos, apoiei as mãos no mármore, as pernas levemente afastadas. Ele imediatamente estava ali, suas mãos desciam vagarosamente pelas minhas costas, percorrendo todo o meu corpo, até chegar às minhas pernas. Seus dedos brincavam com meu desejo e eu já sentia o dele louco pra se cravar em mim.
Dessa vez, sem muita demora, ele me invadiu completamente, com força e vontade. Enquanto ele cuidava do vai e vem, eu me mexia, bailava com meus quadris, e ouvia seus sussurros e gemidos demonstrando todo o desejo que sentia. Vez ou outra suas mãos alcançavam meus seios, ou ainda tocavam levemente meu clitóris, estimulando mais o meu prazer. No quarto ecoava a voz de “kings of Leon”, na sugestiva “Sexo n fire”. Um vulcão ameaçava eclodir dentro de mim. Eu sabia que ele estava adiando ao máximo o seu momento, para que eu também estivesse pronta e... eu estava! Lancei meus quadris para trás, aumentando a velocidade e cravei uma das mãos em sua coxa. Ele entendeu o recado e me acompanhou. Em poucos segundos, uma nova explosão, nossos corpos pulsavam, o sangue sendo bombeado freneticamente, outro sorriso em meu rosto... talvez eu fosse uma “poderosa mulher de 33”, as coisas estavam melhorando.
Então ele saiu de mim, se recostou na cama e me colocou deitada sobre ele, a cabeça em seu peito ainda arfante. Levantou meu rosto e me beijou com carinho. Seus dedos voltaram a deslizar pelos meus cabelos... novamente aquela sensação maravilhosa de paz... aconchego... Meus olhos e meus lábios sorriam satisfeitos, e eu me sentia uma mulher deliciosamente desejada.


E que bom se eu realmente conseguisse... se a projeção se tornasse real!!!