domingo, 31 de maio de 2015

A fênix

Kendra estava apoiada na janela de seu quarto observando o céu acinzentado daquele fim de tarde de domingo. Passara o dia trancada em seu mundo, havia terminado de ler o terceiro livro do fim de semana e cada um deles lhe fizera chorar incontrolavelmente, questionando tantas coisas sobre sua vida. Precisou de ar e por isso estava ali, o vento soprava frio e, de olhos fechados, sentia aquele vazio lhe consumindo.
Já estava cansada de quem se tornara. Era apenas um corpo que seguia os comandos daquela rotina, sua alma há tanto havia lhe fugido e levado a vida que corria por suas veias. Precisava fazer algo e salvar a si mesma... precisava voltar ao ponto em que se perdera, mas não fazia ideia de como agir. Não tinha forças para sair de onde estava, não encontrava coragem para buscar mudanças, e talvez nem quisesse. Se afundava a cada dia mais em seu abismo de escuridão e sinceramente não via a mínima faísca de luz. Mais lágrimas saltaram de seus olhos, o corpo todo lhe doía e a cabeça parecia que iria se estilhaçar em mil pedaços. Não queria suportar mais aquela noite de domingo, sentir mais uma semana se aproximando, então pegou o comprimido na gaveta do criado e o engoliu sem medo. Em alguns minutos já estava em um sono profundo, sem sonhos, vazio como sua vida.
Acordou bem antes do que poderia, com a mesma sensação de ter sido massacrada. Ainda que sem vontade, tomou um banho, engoliu um café e se arrumou para o trabalho. Faltava muito para iniciar aquela loucura que era seu dia, mas não queria ficar em casa, se sentia sufocada. Entrou no carro e simplesmente dirigiu. Parou em uma pequena praça, com árvores e alguns bancos. Sentou-se ali, olhando para o nada e pensando no quanto sua vida estava toda errada. Havia feito o melhor sempre, tentando agradar a todos, ser a “correta”, mas havia ganhado em troca uma grande rasteira do destino e ainda estava estendida no chão. Observou os carros, as casas, o comércio, e então seus olhos se fixaram em um ponto, o muro com a imagem de dois dragões entre chamas e as letras em um preto impactante que informavam que ali funcionava um studio de tatuagens.
Kendra adorava tatuagens, tinha vários desenhos guardados na intenção de que um dia se transformariam em uma, mas não sabia porquê nunca tinham ido do papel para sua pele. Levantou-se e caminhou decidida até o outro lado da rua. Entrou e uma jovem de cabelos roxos, piercings e o corpo coberto por tatuagens lhe atendeu.
- Quero fazer uma tatuagem.
- Ótimo querida! Onde e o que será?
Ela parou respirando com ar de decepção. “O que seria? E... onde?”
A jovem percebendo o impulso daquela mulher e as dúvidas que tinha agora, lhe indicou uma cadeira e várias pastas com modelos de tatuagens que talvez pudessem ajudá-la. Ela então se jogou naquele mundo... flores, borboletas, estrelas... nada disso lhe chamava a atenção, fadas, bruxas, gnomos, índios... lindas tatuagens estilo tribal e maori, que também não eram o que queria. Notou nesse momento o som que vinha de uma porta fechada e que indicava que alguém trabalhava na tatuagem de um cliente. Pegou uma terceira pasta com carpas, dragões e então... virando mais uma das páginas seus olhos brilharam. Encontrara exatamente o que queria naquele momento... uma fênix com asas abertas em pleno voo, sem cores, apenas a tinta preta, era isso! Olhou para a jovem que lhe atendera e deu-lhe um sorriso.
- Encontro?
- Sim!
Kendra levantou-se e foi até ela com a imagem escolhida.
- Essa fênix, nas costas, lado esquerdo.
- Boa escolha querida. Pra quando vamos marcar?
- Pra agora!
A jovem riu e Kendra ficou sem entender.
- Acontece que hoje temos apenas o Stefano trabalhando. Ele está há duas horas numa tatuagem que ainda deve levar mais tempo, e acredito que depois precise de uma pausa para comer algo e descansar.
- Por favor, eu preciso que seja agora! Eu espero e não é algo tão demorado, é só uma fênix...
A atendente de cabelo roxo riu mais.
- Ok, é só uma fênix! – disse em tom de brincadeira e censura. – Aguarde um instante que vou falar com o Stefano e tentar colocar essa fênix em você ainda hoje.
Kendra bateu umas palminhas e soltou uns gritinhos infantis que fizeram a jovem gargalhar. Logo ela voltou dizendo:
- Fica me devendo essa! É só aguardar.
Não demorou muito para que a porta se abrisse e um homem de uns trinta e poucos anos saísse com o braço direito envolto em plástico e totalmente coberto por uma linda tribal. Despediu-se da jovem e saiu. Kendra ouviu seu nome e viu sua salvadora lhe aguardando para levá-la até a sala, em um anexo. Levantou-se animada, atravessou a porta que logo se fechou atrás dela. Ficou admirando todos aqueles desenhos pelas paredes. O ambiente cheirava a álcool e uma música da banda Bad Religion tomava conta de tudo. Então ele apareceu. Stefano caminhava secando as mãos distraidamente. Estava com uma bermuda jeans, all star preto e uma camiseta também preta com os mesmos dragões pintados no muro. Tinha os cabelos raspados na lateral e curtos e espetados mais acima da cabeça, numa bagunça organizada. Braços e pernas cobertos por tatuagens incríveis e também pedaços de mais algumas que subiam por seu pescoço. Terminou sua contemplação ao ser chamada por ele.
- Então, o que será?
Kendra lhe entregou a imagem da fênix e sussurrou timidamente:
- Nas costas...
- Ok, vamos lá, pode se sentar...
Ela obedeceu enquanto Stefano preparava todo o material. Observou que também havia tatuado o rosto. Com tudo preparado ele a olhou, e Kendra pode notar seus olhos incríveis entre um verde e cinza fosco que lhe fizeram ter vontade de mergulhar naquela profundidade misteriosa.
- Você pode tirar a blusa e se deitar de bruços.
Stefano não pedia, sua voz seca ordenava e ela sentia prazer em obedecer. Então se livrou da blusa, permanecendo apenas com o sutiã preto que agradeceu por ser ao mesmo tempo comportado, mas com um pouco de sensualidade. Só então se deu conta daquela loucura. Mal entrou naquela sala, aquele homem nem mesmo sabia seu nome e ela se sentia completamente atraída por ele. O que estava acontecendo? Nos últimos dias nada lhe despertava interesse. Recebia convites, ouvia as mesmas cantadas idiotas de sempre e nem se dava ao trabalho de responder. Ignorava que era desejada.
Stefano pediu que Kendra indicasse o local exato, ao que ela fez. Sentiu o borrifado gelado do antisséptico e o toque da gaze secando sua pele. Não conseguiu controlar um arrepio que tomou conta de todo seu corpo. Em contraponto, logo recebeu as mãos quentes de Stefano, ainda que estivesse de luvas, o braço se apoiando em suas costas e o ruído indicando que iria começar.
- Qualquer problema avise, ok Kendra?
Ele sabia seu nome, com certeza a jovem atendente lhe informara. Respondeu a pergunta com um resmungo e fechou os olhos para esperar a dor, mas não a sentiu, não da maneira como imaginou, apenas um leve ardor.
Stefano se revezava entre pigmentar a pele, limpar o excesso de tinta com sangue e observar o resultado.
- E então, há algum motivo para escolher uma fênix?
- Bom... sempre quis fazer uma tatuagem, na verdade várias. Guardei alguns desenhos para isso mas a vida passou e eles só ficaram no papel. Estava sentada num banco logo ali na pracinha, vi o studio e decidi que hoje seria o dia. Só depois que entrei é que descobri que não sabia o que fazer...
- Tatuagens sempre são impetuosas! Indicam coragem e vontade de mudar algo. Na verdade, muitas vezes são o início da mudança...
Kendra suspirou... era exatamente aquilo!
- ... e então olhei todas aquelas pastas com tantas imagens, até chegar nessa e ter a certeza de que é ela!
- Isso não respondeu a minha pergunta. Escolheu a fênix apenas por achar bonito?
- Não... eu não me marcaria com algo só porque é bonito. Sei que a fênix representa renovação, a ave que ressurge das próprias cinzas depois de ser consumida pelo fogo. É o que espero que eu consiga. Estou em cinzas e preciso ressurgir.
- Trabalha?
As perguntas de Stefano incomodavam Kendra, eram diretas e parece que ele criava aquela conversa por obrigação.
- Sim. Trabalho na edição de um jornal da cidade.
- Casada?
- Não.
- Nunca?
- Não.
- E o que fez uma bela mulher como você queimar até se tornar cinza?
Kendra engoliu um nó que se formou em sua garganta. O passado todo lhe voltando ali, como num filme. Cada escolha errada e as consequências que hoje lhe pesavam e faziam a vida tão difícil de ser carregada.
- Digamos que eram muitos caminhos e eu escolhi apenas os errados e que não dariam em lugar nenhum.
- Impossível.
- O que é impossível?
- Toda caminhada vale algo e nos enriquece de alguma forma, mesmo as que nos fazem sofrer.
Nesse momento um punk metal se misturou ao Bad Religion que ainda ecoava pela sala. Stefano parou por um segundo, mas ignorou e voltou ao trabalho. A música, porém, insistiu mais uma vez sem novamente receber atenção. Alguns segundos depois alguém bateu à porta e Kendra ouviu a voz da jovem de maneira séria:
- Stefano, é seu irmão no telefone. Disse que está tentando falar com você pelo celular mas você não atente, e que é urgente.
Ele soltou um palavrão, limpou o excesso de tinta das costas de Kendra e com a mão pousada ali, se desculpou e disse que já voltava. Fechou a porta, deixando-a com seus pensamentos. Stefano não voltava e então ela se preocupou com o horário do trabalho. Decidiu se levantar e checar o celular. Desceu da maca com cuidado, abriu a bolsa e conferiu a tela do celular notando que ainda tinha praticamente duas horas. Sentou-se e, antes de voltar para a posição em que estava, Stefano entrou. A porta bateu escapando das mãos dele e seus olhos não puderam se desviar dos belos seios de Kendra naquele sutiã preto. Era realmente uma bela mulher. Os cabelos no meio das costas em camadas de diferentes tons de loiro. Era baixa, mas Stefano também não era muito alto, e o corpo dela era totalmente proporcional. Era magra mas não em excesso. Os seios de uma pele branca e que parecia tão macia, a cintura que ressaltava um pouco os quadris. Kendra notou o olhar de Stefano e um calor tomou conta de seu corpo, algo que não sentia há muito tempo. Um tremor e um desejo incontrolável de tocá-lo tomou conta dela. Stefano passou a mão pela cabeça como que querendo espantar seus pensamentos, caminhou de volta para onde deveria estar, sentou-se da mesma maneira, tão próximo dela que podiam sentir o calor e a respiração um do outro.
- Podemos continuar?
Nesse momento Bad Religion deu lugar para algo mais suave e envolvente.
- Nunca ouvi essa música, eu acho, é muito bonita.
- Heartless Bastards não é uma banda muito conhecida. Kendra, você pode se deitar e...
Nesse momento ela colocou uma das mãos sobre a perna de Stefano que estava bem ali, colada na maca, olhou em seus olhos e num impulso se jogou sobre ele num beijo arrebatador. Ele, assustado de início, sem saber o que fazer não foi capaz de resistir e também mergulhou naquela boca macia. Suas línguas se entrelaçavam e os lábios se comprimiam num desejo quase palpável. Praticamente se esquecendo da tatuagem, Kendra se deitou na maca, puxando Stefano pela camiseta sobre ela. Desabotoou a bermuda, desceu o zíper e sem tempo a perder o tocou ali dentro. Ouviu os gemidos dele em seus ouvidos e a respiração ofegante. Stefano livrou os pés do tênis, enquanto a beijava e ela lhe tocava deixando-o louco. A outra mão de Kendra percorria-lhe as costas, cravando sua pele nos momentos em que aquele interminável beijo se tornava mais intenso. Por fim, tirou-lhe a camiseta e perdeu alguns segundos observando as tatuagens no peito definido de Stefano, percorrendo seus dedos por ali com os olhos em chamas e o restante do corpo também. Nenhum dos dois se atrevia a dizer qualquer palavra e nem mesmo pensar no que estava prestes a acontecer. Naquele momento eram apenas corpos e desejos. Ele tirou a calça jeans de Kendra e a própria bermuda, encontrando a calcinha preta que fazia par com o sutiã. Beijou-lhe o pescoço e ela ondulou sobre a maca enquanto ele continuava deslizando os lábios até chegar em seus seios. Abriu o fecho frontal e lhe engoliu um deles imediatamente, como se tivesse fome dela. A boca de Stefano chupava a ponta daqueles seios rosados e Kendra tentava respirar sentindo a língua quente dele e as leves mordidas que a faziam estremecer. Ele desceu ainda mais, beijando aquela barriga lisa e abaixando com os dentes um dos lados da calcinha dela, que logo também estava no chão.
Então, a boca de Stefano encontrou aquele pedacinho dela que pulsava de desejo e lhe arrancou gemidos de prazer. Ele era realmente bom naquilo, a língua em movimentos circulares e depois lhe invadindo, quente, molhada, da mesma forma que Kendra também já estava.
Ela não queria esperar mais, precisava daquele homem dentro dela, e então puxou-o pelos braços, que se aproximou novamente beijando-a no pescoço e causando-lhe arrepios. Sem qualquer pudor, ela o encaminhou para onde deveria estar, tinha-o nas mãos e logo o teria ali dentro. Stefano deslizou facilmente entre aquela umidade fervente de Kendra e os dois precisaram de um segundo para absorver toda aquela eletricidade. Ela começou a se remexer debaixo dele, uma das mãos percorrendo aquela coxa forte envolta em pelos negros e macios, enquanto a outra afundava em um de seus braços. Stefano, sobre ela, afastou um pouco os quadris e voltou afundando-se nela novamente, de início devagar e para ela num quase sofrimento, para logo se tornar mais rápido e muito, muito profundo. Seus corpos se chocavam com força, nada além do prazer importava naquele momento. Kendra laçou as pernas em Stefano aumentando ainda mais o contato entre eles e a profundidade com que ele lhe preenchia. Em poucos instantes seus corpos davam sinal de que uma explosão aconteceria. As mãos dela apertavam ainda mais os braços dele, e um gemido mais alto lhe escapou enquanto ele a penetrava mais uma... duas... e uma enlouquecedora terceira vez, que derramou aquele desejo para fora de seu corpo e para dentro do dela. Ele desabou sobre Kendra, a cabeça apoiada no vão daquele pescoço que inebriava agora um delicioso perfume de sexo misturado a alguma outra fragrância. Ela, ainda trêmula, sentia os últimos espasmos dele ali, dentro de seu corpo. Queria rir... não apenas aquele sorriso de satisfação que já tinha no rosto, e sim um riso livre, alto, de alívio, mas guardou aquela vontade e simplesmente suspirou.
Stefano se levantou um pouco, acariciou-lhe novamente os seios, os olhos agora mais cinza do que verdes. Então se retirou de dentro dela, pegou as roupas pelo chão e foi para o mesmo lugar de onde surgira enquanto Kendra o aguardava quando chegara. Voltou logo depois, já vestido.
- Tem um banheiro aqui, se desejar...
- Claro!
Kendra fez o mesmo, recolheu suas roupas e enquanto se vestia lembrou-se da tatuagem. Tentou vê-la no pequeno espelho e notou que estava vermelha e quase pronta. Voltou para a sala, vestida, apenas sem a blusa  para que Stefano terminasse o seu trabalho.
- Respondendo à sua pergunta... agora podemos continuar! – ela disse enquanto se deitava. Ele riu, colocou as luvas e era novamente “o tatuador”.
Apesar de ter pensado que estava terminando, levou um tempo até que Stefano pousasse aquela máquina na mesinha com as tintas e todas as outras coisas e num suspiro dissesse o “pronto” naquela voz pós sexo. Kendra imediatamente sentiu falta do seu toque. Ele ainda espalhou a pomada e cobriu o local com um plástico. Ela sentou-se enquanto ele organizava as coisas e dava algumas orientações de como cuidar da tatuagem. Ainda havia desejo nela...
- Posso usar o banheiro?
- Claro, só um instante...
Ele foi até lá e voltou em seguida.
- Pronto.
Kendra percebeu que o espelho não estava lá e ela queria muito ver o resultado da sua fênix, porém não era por isso que tinha ido até ali. Livrou-se das roupas novamente e saiu. Stefano estava sentado, de costas para ela, ainda organizando e limpando tudo por ali. Ela se aproximou, passou ao lado dele que só então levantou os olhos para mais uma vez se assustar com  a atitude daquela mulher que para ele ainda era muito mais fogo do que cinzas. Sem que ele tivesse tempo para qualquer reação, ela ficou de joelhos, mais uma vez abriu-lhe a bermuda notando que também havia mais desejo em Stefano, ao qual ela fez questão de abocanhar sem hesitar. Ainda tinha o gosto do sexo que haviam feito há pouco e ela saboreou com prazer. Sabia que sua boca trabalhava bem... sabia como deixá-lo à beira do abismo e já era exatamente onde Stefano estava com a sensação daquela boca quente a macia de Kendra a lhe envolver, sua língua bailando, os dentes roçando com cuidado e o ruído de cada sucção, dela o engolindo inúmeras vezes. Então foi a vez dele mostrar que queria mais levantando-a pelos braços e vendo-a sentar-se  deliciosamente sobre ele, as mãos apoiadas naqueles ombros cheios de cores. Ela se afastou um pouco para que ele pudesse encontrar o lugar certo e então, mais uma vez deslizar por aquele caminho que ela lhe oferecia. As mãos também tatuadas de Stefano seguraram com força os quadris de Kendra, acompanhando o corpo dela que subia e descia, acolhendo-o num encaixe perfeito.
Ela cavalgou Stefano com energia, os seios enrijecidos de prazer balançando sensualmente e algumas vezes indo parar na boca dele.
- Você é incrível Stefano...
- Você também é Kendra... é chama e não cinzas.
Foi bom ouvir aquilo, ela se sentia mulher como há tanto não se sentia. Cavalgou Stefano rebolando sobre seu corpo, fazendo-o bailar dentro dela até que ele puxou seus quadris uma última vez antes de novamente se estilhaçar dentro dela, os pelos do peito brilhando de suor, cada músculo contraído voltando a relaxar. Ela olhou no fundo dos olhos fascinantes de Stefano.
- Você é um cara incrível! Obrigada...
E enquanto se levantava pediu para ver o resultado da tatuagem.
- É uma surpresa e você não irá ver agora para não estragar tudo.
- Tudo?
- É... sem mais perguntas!
Curiosa, Kendra foi até o banheiro se vestir com as roupas que deixara lá. Pegou a bolsa, agradeceu novamente a Stefano, que a acolheu em um abraço apertado de despedida. Ela saiu e fechou a porta, parando ali em sua amiga de cabelos roxos para pagar pelo trabalho que ainda não vira. Agradeceu também à ela e seguiu para a pracinha onde tivera aquela ideia maluca e que não poderia ter sido melhor. Entrou no carro, o sol parecia ter novamente brilho e calor, o céu era azul e a vida parecia querer pulsar novamente dentro dela. Sem aguentar a curiosidade, pegou um espelho no porta objetos do carro, levantou a blusa sem se importar alguém lá fora pudesse vê-la, e então encontrou sua surpresa. Debaixo de uma das asas da fênix havia uma frase, que ela leu com os olhos marejados “É preciso se perder para se encontrar”. Olhou novamente para o studio, os dragões, as chamas... respirou profundamente e sorriu.
- Obrigada, Stefano...
Ele havia lhe devolvido algo precioso e há tanto perdido. Era uma mulher novamente, corpo e alma... ele resgatara e lhe entregara a alma deixada pelo caminho. Era o começo, um novo começo...