domingo, 19 de outubro de 2014

Flamboyant

Apesar de ainda não ter o manto da noite cobrindo o céu, a tempestade que se anunciava escurecera por completo a tarde. Rayana saíra uma hora mais cedo do que normalmente costumava deixar o suntuoso prédio onde gerenciava um dos setores de uma grande empresa de marketing.
Podia-se notar a tensão em seu rosto e em seus passos que tentavam parecer firmes, mas oscilavam sob os saltos do sapato preto. Pegou o carro no subsolo do prédio e saiu pelas ruas. Odiava se atrasar e contava com apenas quinze minutos para atravessar toda a cidade e chegar até o local combinado. Adorava aquele parque, as árvores imponentes, flores por todos os lados , os pássaros trazendo uma doce alegria. Ficou surpresa quando Hadrian sugeriu que se encontrassem lá, não imaginava que ele se lembrasse daquele lugar após tanto tempo longe. Esperava algo mais prático, discreto, estava tão acostumada com seus encontros furtivos, sempre com o mesmo objetivo: sexo casual, nada de cobrança, de ligações mais profundas, de dia seguinte, de expectativas, apenas o prazer físico. E então, sentia-se perdida com aquele toque romântico e tão puro quanto fora quando se conheceram há tantos anos.
Hadrian sempre lhe despertara um lado bom, calmo, ainda se lembrava muito bem da sensação de proteção que tinha nos momentos em que estavam juntos, e lhe doía notar que nunca mais se sentira segura com outro alguém.
As lembranças tumultuavam os pensamentos de Rayana enquanto ela tentava se concentrar no trânsito. Não conseguia deixar de imaginar o que poderia acontecer quando se encontrassem. Tinha medo... um medo terrível de que aquele amor voltasse tão forte quanto antes, não seria capaz de conviver com mais isso, não sabia porque aceitara aquele risco, ou talvez não quisesse admitir a louca vontade que sentia de abraçá-lo mais uma vez. As nuvens no céu se agitavam da mesma forma que seu coração, as batidas como os estrondos dos trovões.
Enfim chegou. Devido ao mau tempo, não havia outras pessoas ali. Desceu do carro, caminhou um pouco e logo observou alguém sentado em um dos bancos, debaixo de um frondoso flamboyant, só podia ser ele! Pegou o celular na bolsa, procurou por um número em seus registros e ligou enquanto seus olhos permaneciam fixos naquele que provavelmente fora seu grande amor. Viu ele tirar o aparelho do bolso e observar a tela, imediatamente se virou para procurá-la. Sim, era ele! Levantou-se rapidamente, caminhando ao encontro dela. Os sentimentos mais diversos perpassavam a alma de Rayana, uma emoção tão forte querendo aflorar enquanto ela lutava para controlar-se.
- Nossa... oi! Quanto tempo... você está ainda mais linda!
- Foi por isso que me apaixonei por você, um galanteador nato! Me dá um abraço?
Ela não acreditava que havia dito aquilo, e ainda pedido um abraço! Mas precisava sentir seu toque, seu calor, sentir que estavam ali... e juntos. E então, com um sorriso tímido, ele a abraçou. Naquele momento, tudo o que Rayana lutara para conter, tornara-se totalmente incontrolável. Ele estava ali tantos anos depois, tantas decepções depois, tantos erros depois. A mesma sensação de proteção dentro daquele abraço... ela não queria mais sair dali. Lágrimas saltavam de seus olhos, um suspiro profundo como se estivesse deixando de lado o peso que carregava das suas últimas desilusões, um súbito e celestial sussurro dizendo que tudo ficaria bem.
Quando enfim se afastaram um pouco, ele a surpreendeu com um beijo que começou suave, mas foi se intensificando e transbordando o carinho que ainda sentiam um pelo outro. Naquele momento, Rayana notara que sempre sentira falta daquele beijo, de algo especial, de mágica... Toda vez em que havia lábios unidos aos seus, ela ficava na expectativa... esperando o momento em que os sininhos mágicos tocariam, em que seus pés alcançassem as nuvens, e o coração batesse num compasso guardado há tanto em sua memória. Uma espera em vão... era tudo sempre igual, o mundo continuava a girar, todo o universo funcionando da mesma maneira... até aquele exato momento. E então, toda a magia estava de volta. Nos breves segundos daquele beijo, Rayana viajou para universos paralelos das lembranças mais doces de sua vida. Os mesmos sinos, empoeirados, repletos de teias de aranha, agora se moviam para entoar a mesma canção. As nuvens sob seus pés estavam ainda mais macias. O mesmo gosto, o mesmo toque, a mesma vontade de ficar ali para sempre, mas dessa vez sabendo de toda a impossibilidade. Junto com a emoção, veio medo, veio tristeza, veio a revolta contra o mundo, o destino, a sensação de cair num abismo. Sentia-se perdida... há pouco vinha recuperando seus pedaços e agora iam-se todos novamente, pra longe, para a improbabilidade. A felicidade tão breve já lhe escorrendo entre os dedos. De repente, sua voz saiu fraca, carregada de dor:
- Todos os dias daquele próximo ano em que eu não tinha seus beijos, me doía a vida, me arrasava a sua ausência, eu não queria um futuro sem você, mas tive que vivê-lo mesmo sem vontade...
- Eu não imaginava Rayana... Foi tão pouco tempo e... eu pensei que... que não havia sido importante pra você, sabe?...
- Mas foi... foi muito! Eu chorei em cada dia. Pedi ao universo que te trouxesse de novo pra mim, que nos concedesse ao menos uma despedida, que eu pudesse lhe dar um último beijo e estar mais uma vez dentro do seu abraço. Eu esperei tanto por isso e foi uma espera sofrida, angustiante, longa...
- Eu também fiquei mal com tudo... mas a vida seguiu... tanta coisa aconteceu... E agora isso!
- Isso?
- Esse reencontro e... tudo o que parece querer voltar, mas... não sei...
- Eu entendo, nós não podemos! Eu sei disso e não vou te pedir nada, não vou te impor minha presença, jamais faria isso! A ideia desse encontro foi sua, e eu não posso negar que desejava muito, que desde a primeira troca de palavras, desejei seu beijo e imaginei muito mais além disso. Pensei em tudo o que não aconteceu, como seria cada segundo, cada sensação... sentir seu toque por todo meu corpo, a troca de energia, a emoção de enfim ir além, ouvir você suspirar de prazer, tê-lo dentro de mim... mas...
Lágrimas rolavam impiedosas pelo rosto de Rayana, misturadas às gotas da chuva que começava a aumentar, escorrendo por seu corpo em ebulição. Os trovões eram estrondos que faziam com que ela tremesse ainda mais...
- Eu não posso Hadrian, mas eu te amo, nunca deixei de te amar e sei que isso não vai se acabar. E... eu tenho medo... que...
Nesse instante, Hadrian que ouvia a tudo em silêncio, enquanto revivia cada lembrança daquela paixão, se aproximou mais de Rayana, afastou seus cabelos molhados e a beijou com a intensidade guardada em todos aqueles anos. O mesmo beijo... o mesmo gosto, o mesmo desejo de que aquilo nunca mais acabasse, e dessa vez ele se prolongou e veio acompanhado de um vulcão eclodindo de desejo e consumindo aos dois.
As mãos de Hadrian percorriam o corpo de Rayana junto com a chuva que caía forte, porém agora silenciosa, sem os trovões, apenas o ruído de cada gota batendo contra o chão e os corpos de ambos, que se fundiam em um só, ainda parados no mesmo lugar, incapazes de se moverem. Então, Hadrian levou Rayana até o flamboyant, onde há pouco a aguardava, seus olhos brilhavam e tinham um efeito devastador sobre ela. O corpo dela transbordava um desejo acumulado por longos quinze anos, cada centímetro ansiava por ser tomado por ele. A razão não tinha mais espaço.
Rayana sentiu o impacto das suas costas no tronco da árvore, e o calor dele envolvendo-a, as mãos de Hadrian percorrendo sua cintura, subindo pelas costas, e logo se livrando da blusa molhada e colada em seu corpo. A boca dele explorava seu pescoço, orelha, lábios. Ela não podia acreditar que aquilo estava acontecendo, sentia medo de que tudo acabasse novamente, tão de repente como fora da primeira vez. Seu coração disparado denunciava que todo aquele amor sempre estivera ali, à espera do momento em que o destino lhe desse tamanho presente.
Ignorando os medos e as incertezas que a rondavam, se entregou ao desejo, abriu cada um dos botões da camisa de Hadrian, deslizando suas mãos pelo peito dele, tocando cada centímetro da sua pele, alcançando suas costas em um abraço faminto. Ele a segurava com força, as duas mãos espalmadas em suas costas, podiam sentir cada parte do corpo um do outro e o som de seus corações acelerados.
Um beijo ardente teve início, mas não teve fim, se prolongou enquanto ambos exploravam um ao outro, enquanto suas línguas bailavam, se enroscavam, os lábios unidos como nunca. Hadrian afastou-se daquele beijo por um instante, sua boca percorreu lentamente o caminho que levava até os seios de Rayana, ainda cobertos, invadiu seu sutiã, mordiscando sua pele alva e macia, passeando com suavidade por todo aquele espaço, primeiro um, depois atravessando até o outro. Voltando-se então para ela, olhou em seus olhos e disse:
- Você não sabe como sonhei com isso...
- Não fala nada... não agora...
Ela o ajudou a livrar-se da camisa... como era bom poder tocá-lo! Hadrian soltou o fecho do sutiã de Rayana, observando como seu corpo ainda conservava um pouco da jovem por quem se apaixonara, mas sem dúvida agora revelando a mulher que se tornara. Passou os dedos por seu colo, seios, sentiu sua pele macia, quente apesar da chuva fria. Ela estava ali e naquele momento era sua, como fora outras vezes naqueles poucos meses que iam tão distantes. Ouviam a natureza recebendo as gotas que caiam do céu, ouviam o som de seus corpos implorando para terem seus desejos saciados. Hadrian agarrou com força a cintura dela, as duas mãos firmes, trazendo seu corpo para que sentisse o dele. Desceu com uma delas até a fenda da saia, subindo, alcançando a calcinha que rapidamente arrancou dela como se enfim despertasse com uma sede por saciar, bem ali, na boca, no corpo de Rayana. Seus dedos alcançaram o ponto exato e ela vibrou e gemeu de prazer enquanto Hadrian brincava com todo aquele desejo. Ela queria mais, muito mais, precisa tê-lo dentro de si, tinha urgência de senti-lo indo profundamente em seu corpo. Desabotoou a calça dele, e pode sentir que essa não era somente sua vontade. Ouviu seu suspiro e a reação ao seu toque:
- Eu preciso de você Hadrian... eu preciso de você dentro de mim...
Dizendo isso, ela o guiou para onde desejava, o corpo molhado da chuva e de prazer, pronto para recebê-lo. Com as duas mãos em suas costas, ele a levantou e vagarosamente foi se encaixando dentro dela, uma sensação única, nunca sentida por nenhum dos dois, um momento esperado por tanto tempo, carregado de sentimentos, de lembranças. Com as costas apoiadas no tronco da árvore, ela enlaçou a cintura de Hadrian com as pernas, fazendo com que ele a alcançasse ainda mais profundamente. Alguns segundos permaneceram assim, apenas sentindo o corpo um do outro, e como se fundiam num encaixe perfeito. Duas peças perdidas de um mesmo quebra cabeças, agora unidas mais uma vez. Então, com as mãos nos quadris de Rayana, ele passou a controlar os movimentos, invadia seu corpo e depois saía para em seguida, voltar com mais desejo. Com os braços envolvendo-o, ela o beijava com uma vontade enlouquecedora. Corpos vibrantes, respirações descompassadas e corações que saltavam num mesmo ritmo frenético, acompanhado do ir e vir que agora indicava a necessidade de ambos de se satisfazerem. Ela já não aguentava mais e sabia que Hadrian lutava para se controlar, então sussurrou em seu ouvido:
- Hadrian querido, venha comigo...
Notou como ele fechou os olhos e suspirou. Ela sorriu levemente, ele cravou as mãos ainda mais fortes em seus quadris, a invadiu ainda uma vez, forte, e ouviu seu gemido rouco, enquanto sentia seu corpo se contrair de prazer e o de Hadrian vibrar dentro dela. Nem em seus mais lindos sonhos ela poderia imaginar que fosse tão bom, não sabia descrever ou comparar aquela sensação a qualquer outra coisa. Sua alma saltara numa lagoa de cristalina alegria, sentia-se leve, flutuante. Desceu as pernas, buscando o chão, os braços ainda envolvendo Hadrian e agora, os dele também a acolhiam em um abraço. Seus corpos se apoiavam mutuamente, em busca de energia, respirações ainda ofegantes, corações que não se cansavam da batida em disparada. Ele tocou seu rosto com carinho e pousou nos lábios dela um beijo envolvente.
Pegou-a pela mão e a levou até o banco onde estava enquanto a esperava. Sentou-se e foi surpreendido por um olhar que ardia de desejo.
- Foi pouco pra tanto tempo de espera... eu quero mais, muito mais... coloque essa perna do outro lado do banco e vamos brincar!
Enlouquecido pela mulher que Rayana se tornara, ele fez imediatamente o que pedira. Ela se aproximou e sentou-se sobre ele, uma perna de cada lado, os joelhos dobrados. Olhou em seus olhos com um sorriso repleto de malícia, sem desviar o olhar chegou ainda mais perto, provocando Hadrian com beijos e leves mordidas nos lábios, no pescoço, na orelha... Ele abocanhou seu seio que dançava bem na sua frente e ela sentiu um arrepio lhe percorrer todo o corpo. Com uma das mãos, mais uma vez buscou o prazer dele, que assim como o dela, já estava pronto para começar tudo novamente. Ela o posicionou, fez com que a tocasse de leve, e então desceu sobre ele aos poucos, sentindo cada centímetro invadi-la, ocupando todo seu ser, preenchendo o vazio deixado no passado.
A chuva continuava a cair ainda forte e junto com ela, Rayana dançava sobre o corpo de Hadrian. Começava devagar, ia aumentando a velocidade e quando percebia que ambos já estavam prestes a explodir de prazer, parava e começava novamente. Queria prolongar aquilo tudo por um tempo indefinido. Saber que em breve estaria longe dos braços dele novamente a fazia sentir-se prestes a despencar de um abismo, pensar que viveria uma nova separação e que dessa vez deveria ser para sempre trazia lágrimas aos seus olhos e uma dor profunda em seu coração. Não podia deixar esses pensamentos tomarem conta do momento, ele ainda estava ali e ela também... Então, esticou as pernas, cruzando-as nas costas de Hadrian, o contato era perfeito, cada parte do corpo de um, unida ao corpo do outro. Num ir e vir rápido, com movimentos curtos mas fortes e profundos, estavam mais uma vez entregues ao prazer, um desejo guardado por tantos anos, que só fez crescer a cada dia de ausência, de saudade, de dúvida, de tristeza... Absorta em seus pensamentos e nas sensações que Hadrian provocava, Rayana ainda ouviu ele sussurrar seu nome, enroscar as mãos em seus cabelos molhados e gemer mais uma vez, explodindo dentro dela. Ela também tinha seus estilhaços novamente espalhados pelo universo, e como era bom...

O sol lançava seus últimos raios do entardecer através das nuvens e da chuva que agora caía fina. Em poucos instantes a noite chegaria com suas estrelas e a lua, a mesma lua pra qual em todas as noites, Rayana olhara, tendo nos pensamentos um grande amor do passado, o maior que já sentira. Sabia que de novo, observaria o céu negro e teria seu coração em cacos, partido pelas lembranças antigas e agora, pelas lembranças daquela tarde. Em cada estrela veria o brilho dos olhos de Hadrian, sentiria na brisa o toque das mãos dele e ao enfim adormecer, teria os sonhos povoados do seu sempre amor. Mas agora... agora era preciso voltar. A realidade estava fora daquele parque. Dessa vez a vida lhe dava a chance de uma despedida, ainda que fosse tudo o que ela não quisesse. Em sua vida não havia felizes para sempre, a felicidade sempre lhe fora fugaz e mais uma vez, tocara-lhe a alma e partia sem ter data marcada pra voltar. Era preciso dizer adeus, ainda que seus lábios teimassem em dizer a Hadrian “Eu te amo!”

domingo, 17 de agosto de 2014

Puramente MULHER


Desde aquele domingo, a vida de Sylvia sofrera uma mudança impactante. O fim do relacionamento ruíra com o “eu” que lutara para reconstruir. O destino lhe mandara uma série de acontecimentos, sem que tivesse tempo de absorvê-los. O fim do casamento de longos anos, a redescoberta do seu corpo, do seu poder, do prazer que era capaz de sentir e oferecer. Se entregara às delicias do sexo totalmente desvinculado do amor ou da ideia de compromisso. Buscava satisfazer seus desejos, sem preocupações com o amanhã, livre de preconceitos e sem restrições. Vivia cada momento com intensidade, e se sentia realizada. Evitara sair com pessoas que buscavam algo diferente disso, mas não sabia ainda explicar porque quebrara esse ciclo e se envolvera com Marx, tendo plena consciência de que ainda não era o momento, e que ele, sem dúvida, não seria a pessoa ideal para ajudá-la.
O fato é que o amara verdadeiramente, mesmo que tudo tivesse durado tão pouco tempo. Por essa razão, fechara totalmente seu mundo para novas visitas, por longos meses. Porém, seu corpo pedia por sexo, apesar do coração ainda ser completamente de Marx. Sabia que ainda levaria muito tempo para se envolver novamente, para ter os sentimentos despertados por um outro alguém, mas também estava certa de que era capaz de se entregar ao prazer, puro, livre de todo o resto.
Enfim, decidiu retomar a vida, pegar as rédeas, ter o controle da situação. Já não dava mais para continuar enclausurada nas lembranças daquele passado. Retomou seus contatos, sabia bem onde conseguir exatamente o que queria, e teria com certeza suas tardes de terça novamente cheirando a sexo.
Então, alguns minutos e já tinha três convites. Ficava excitada quando podia escolher. Sabia que suas escolhas nunca seriam como a da maioria das mulheres. Já que sua única intenção era o prazer, suas primeiras opções eram os mais altos, fortes, e que demonstravam alguma dominância. Gostava de homens com atitude na cama e odiava os muito passivos. Ficou com o 1,90 de um cara de 30 anos, com quem falou alguns pouquíssimos minutos, certificando-se de serem quem realmente diziam ser. Logo percebeu que fizera a escolha certa. Ele imediatamente questionou se um encontro direto em algum motel seria algo precipitado, ao que Sylvia sorriu e lançou um satisfeito “não”. Tinha certeza de que sua terça seria animada.
O trabalho lhe consumia muito tempo, e no pouco que lhe sobrava, estava sempre exausta. A terça era o único dia da semana em que tinha algumas horas da tarde sem compromissos, e que nos últimos meses havia usado para se enfiar na cama e reviver as lembranças daquele amor. Já era tempo de deixar o casulo e alcançar novos voos, e o primeiro estava prestes a decolar.
Deixou o trabalho com o coração descompassado e o corpo vibrando. Ele já estava aguardando por Sylvia. Ela estacionou o carro na garagem, abriu a porta vagarosamente e ele veio recebê-la. Realmente sua presença era imponente, e mesmo com o salto, ela precisou ficar na ponta dos pés para alcançá-lo em um primeiro beijo. Cassiano então se afastou, dizendo precisar de uma ducha, enquanto ela se acomodou na cama, procurando uma boa música. Logo ele se fez novamente presente, abriu um vinho e serviu aos dois, sentando-se ao lado dela na cama e conversando sobre banalidades. Aproximou-se mais, beijando seus lábios com desejo, deitando-a na cama e colando seu corpo ao dela de maneira provocante. Ela já estava louca por aquilo, e sentiu que ele também. Cassiano beijava Sylvia enquanto tocava seus seios com força, pressionando-se contra ela, que pode notar que ele todo era proporcional ao 1,90 de altura! Ele desabotoou o vestido dela, depois o sutiã, e quando pousou a boca nos seios dela, arrancou suspiros de desejo, aprovação e surpresa... ele sabia muito bem como fazer aquilo!
Sylvia gostava de contato, de sentir um homem lhe preenchendo. Recebia as bocas que invadiam seu sexo, mas sem que lhe causassem um grande prazer. Porém, quando Cassiano abriu as pernas dela e começou com a brincadeira, ela descobriu que o problema não era com sua preferência, mas sim com as bocas pouco experientes que estiveram por ali. Era incrível como, sem nunca terem ficado juntos, Cassiano sabia exatamente onde e como tocá-la. Sua boca e língua bailavam com maestria e causavam a ela choques intensos de prazer. Em poucos segundos ela já estava louca e lutando para controlar seu corpo que se encontrava tão precipitadamente à beira do abismo. Ele não tinha pressa, provocava Sylvia e ela retribuía, tocava seu corpo, se entregava, também brincava com a vontade que ele demonstrava, primeiro com as mãos, e depois, trocando de posição, com a boca. O corpo de Cassiano também vibrava de prazer, em especial aquela parte que Sylvia agora tinha na boca, oferecendo sua melhor performance em lambidas, leves mordidas, e o devorando com vontade. Sentia que ele estava prestes a se jogar no mesmo abismo, que lutava para controlar o desejo, e então, quando chegou ao limite, a pegou com facilidade, levando-a para si, saboreando a boca de Sylvia que ainda carregava o gosto dele. Ambos, com pressa, prontos um para o outro, viram seus corpos se fundirem. Ele a invadiu, e ela o sentiu atravessando seu corpo e alcançando um ponto distante, lhe proporcionando uma sensação única.
Sobre ele, Sylvia comandava o ritmo e a profundidade, mas Cassiano era dominador, e com as mãos cravadas em seus quadris, a surpreendia quando a apertava contra si com uma força absurda, exatamente da maneira como ela adorava. Demonstrando ainda mais o conhecimento que possuía da anatomia feminina, ele segurou o corpo de Sylvia colado ao seu, e começou a fazer movimentos curtos, roçando no clitóris dela, e a fazendo ferver. Não demorou muito para que ela enfim liberasse seu corpo para o prazer, caindo vagarosamente num abismo profundo de sensações e, novamente se surpreendendo ao notar e sentir que Cassiano pulara junto com ela, no mesmo instante. Dentro dela, seus espasmos de prazer vibravam, levando um tempo, no silêncio que se seguiu ao último gemido, para se acalmarem.
O calor deixara seus corpos suados, e Cassiano convidou Sylvia para a banheira. Os dois relaxaram por alguns minutos, até que ele a chamou para mais perto, colocou-a em seu colo, brincando com seus seios, descendo as mãos por seu corpo todo. Então se levantou e sentou-se no mármore que adornava a banheira. Ela logo entendeu o que ele queria, e lhe ofereceu todas as sensações que sua boca era capaz de proporcionar, enquanto suas mãos percorriam as pernas dele, oscilando entre toques suaves e também com pressão. Cassiano gemia e seu corpo todo tremia de prazer. Louco de desejo, pegou-a nos braços e se jogaram na cama para continuar aquele momento intenso.
Ele novamente a despertou com a boca, para então invadi-la com força e profundidade, arrancando-lhe um grito abafado de prazer. O vai e vem ali durou pouco, pois ele a virou rapidamente para continuar aquele exercício que dominava tão bem. Ele a invadia, entrava e saía dela, primeiro devagar e depois aumentando o ritmo, e quando estava prestes a atingir seu objetivo, parava se enfiando profundamente nela. Sylvia estava enlouquecida com o poder daquele homem, a agilidade e o vigor que demonstrava. Logo, novamente, saiu de dentro dela, sentou-se na cama e a trouxe para que pudesse cavalgá-lo. Ele sustentava o próprio corpo e também ao dela, possibilitando que se movesse sobre ele. A sensação era incrível, como Sylvia nunca havia experimentado antes. Ele comprimia o corpo dela para que o contato entre os dois fosse o maior possível. Mais uma vez ela tinha o “botãozinho mágico” estimulado, choques a percorriam o tempo todo, e ela gemia devido a um prazer nunca antes sentido.
Enquanto ela subia e descia de Cassiano, ele abocanhava seus seios, os devorava com vontade, brincava com o corpo de Sylvia como um jogador muito experiente, e no topo dos melhores, e ela, a cada minuto, se surpreendia mais com o que ele era capaz de fazer, e ela de sentir. Cassiano cravou as mãos nos quadris dela, direcionando os movimentos... curtos, profundos, fortes. Não demorou para que mais uma vez Sylvia se entregasse aquele deus do sexo, e ele deixasse um grito rouco de prazer lhe escapar, também totalmente entregue à intensidade daquele momento.
Ambos desabaram na cama, corpos tomados de calor, músculos tremendo de prazer, num pós orgasmo fantástico. A banheira mais uma vez aplacou as chamas que tomavam a ambos, e Sylvia foi pega de surpresa ao receber de Cassiano uma deliciosa massagem nos pés, que não serviu ao propósito de relaxar, e sim manter todos os seus sentidos ainda mais aguçados. O conhecimento dele sobre o corpo de uma mulher era algo impressionante. Cada toque, em cada lugar, trazia uma sensação diferente de prazer. Dessa vez, antes que voltassem para a cama, ele colocou Sylvia apoiada sobre as bordas da banheira, e a fez enlouquecer mais uma vez... enquanto suas mãos davam a volta ao redor do corpo dela, alcançando seus seios, ele a preenchia novamente, deslizando aos poucos, em instantes de quase sofrimento, parando ao estar todo dentro dela, para então recomeçar o jogo. As mãos desceram mais para alcançar aquele pedacinho que nunca fora tão estimulado quanto naquela tarde. Não precisou muito para que o corpo de Sylvia, já tão sensível pelos três orgasmos intensos em tão curto período de tempo, se aproximasse de mais um, e então se jogasse desesperadamente nele, quase sem acreditar que mais uma vez aquele homem fora capaz de entregar mil estrelas de prazer.
Voltaram para a cama, Sylvia na certeza de que aquela maratona se dava ali por encerrada. Deitou-se relaxada na cama, Cassiano ao seu lado. Ela evitava todo contato que não fosse apenas sexual, não queria demonstrações de carinho ou afeto, só o puro prazer, mas naquele instante ele tomou sua mão, acariciando seus dedos... olhou nos olhos dela, sorriu e a beijou. Nesse instante ela notou que havia mais, o corpo de Cassiano denunciava que ele ainda a desejava. Puxou-a para cima de si, ela mais uma vez deslizou a boca por aquele corpo enorme, chegando ao seu destino. Precisava oferecer ao menos metade de todo o prazer que recebera, e sua boca iria mais uma vez começar a brincadeira. Oscilava entre leves mordidas por todo ele, e depois pausas para que o chupasse com vontade, sua língua também passeando por ali. As mãos dela passeavam pelas pernas de Cassiano, subiam, o acariciavam, e ele... suspirava entre os dentes e gemia enquanto o corpo convulsionava de prazer. Ele implorava para que ela parasse por ali, e continuasse de outra forma, mas ela queria mais... desejava deixá-lo no limite... e logo conseguiu. Quando se lançou sobre ele, imediatamente Cassiano a deitou na cama, trocando de lugar com ela, seu 1,90 dominando e tomando todo o pequeno corpo de Sylvia. Sem demora, ele guiou-se para dentro dela... mais uma vez ela sussurrava mentalmente um “uau” ao sentir como ele a alcançava longe, ali dentro dela, como a ocupava completamente, como seu corpo se dilatava para recebê-lo. Como se houvessem começado tudo naquele momento, ele entrava e saía dela com uma fúria que novamente a fazia soltar gritos de prazer. O corpo de Sylvia afundava na cama a cada vez em que ele também se afundava nela. E, inacreditavelmente, ela sabia que se encaminhava para o precipício, uma última vez... Como havia feito tão bem, Cassiano colou seu corpo ao dela, o atrito maravilhoso, perfeito, como se apesar dos tantos centímetros que a faziam tão pequena perto dele, nem existissem, e seus corpos fossem feitos para aquele encaixe.   
Um incêndio os consumia, e a cada vez que Cassiano arremessava seu corpo contra o de Sylvia, as faíscas explodiam pelo quarto. Numa combustão de desejo e prazer, ambos explodiram, mais um salto...
Se sentindo tomada por uma alegria e uma leveza deliciosa, Sylvia descansou na cama por alguns segundos , mas... já era hora, precisava ir, ainda tinha uma noite de trabalho pela frente. Com o corpo dolorido pela maratona que enfrentara naquela tarde, tomou um banho rápido e entrou em seu uniforme. Despediu-se de Cassiano com um beijo e uma vontade louca de guardar aquele exímio exemplar masculino para si.

Quando saiu com o carro para a vida lá fora, sabia que aquela tarde havia a transformado completamente, era um marco. Nunca se sentira tão puramente mulher como naquele encontro com Cassiano. Pela primeira vez Marx não se fizera presente em seus pensamentos, não era mais aquela sombra sempre pairando nos momentos mais inadequados. Ela encontrara alguém que fora capaz de despertar seu corpo mais do que Marx conseguira. Até aquela tarde, era escrava do prazer que ele lhe proporcionara naqueles meses em que estiveram juntos. Agora, depois de ganhar de presente, cinco deliciosos orgasmos, num tempo recorde de duas horas e meia, ela se libertara. Cassiano cortara as amarras que a prendiam naquele passado, libertara Sylvia novamente para o mundo. Cada músculo dela doía devido ao esforço empenhado com aquele homem maravilhoso, porém, havia um lugar onde agora não existia mais dor... seu coração, aquele lugarzinho que sofrera tanto com a ausência de Marx, que só experimentara a dor nos últimos meses, ali, agora, uma doce alegria reinava, e Sylvia sabia que era algo para ficar. Sua alma, perdida pelo caminho, fora reencontrada e tinha sede de vida. Uma chama reacendera dentro dela, o sangue corria quente nas veias, os olhos brilhavam e um sorriso enfeitava seu rosto. Seguia então pelo novo caminho que se descortinava à sua frente, os vidros do carro abertos ecoavam para o mundo a alegria de uma canção... “girls just wanna have fun...”

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Vem borrar meu batom!

Sai logo desse porta retratos... vem... deixa de lado essa demora... essa espera... Chega com aquele seu jeito de menino que sempre me fazia sorrir. Cola tuas mãos em mim, sente cada pedaço do meu corpo e me deixa mais uma vez sentir o seu. Me beija, invade a minha boca, devora meu gosto e me dá o seu que eu tanto adoro... deixa tua língua dançar com a minha, deixa sua vida se perder com a minha... deixa vai? Chega mais perto... bem mais... eu preciso sentir seu calor... seu cheiro que eu ainda não esqueci. Me abraça e me deixa te apertar em meus braços tão vazios de você. Sussurra mais uma vez em meus ouvidos e faz aquele arrepio subir pelo meu corpo... aquele desejo tomar conta de mim... Corre suas mãos pelas minhas costas, desabotoa esse maldito sutiã e vem passear pelos meus seios... os dedos... a boca! Enquanto isso me deixa brincar com seus cabelos, mordiscar sua orelha, lamber seu gosto. Mas... não se contente com isso, você quer mais e eu... ah... eu quero muito mais! Sobe minha saia com suas mãos roçando por minhas pernas, e quando eu achar que esse joguinho ainda vai longe, puxe minha calcinha pra me mostrar que tem pressa, porque eu também tenho! Me abra com seus dedos e me sinta já molhada, enquanto eu invado tua calça e encontro o que queria. Brinque comigo, que eu sempre adoro brincar com você. Peça pela minha boca no seu desejo... eu irei... e sentirei ainda mais o seu gosto... me chame de volta... porque já não dá mais pra aguentar! Num ímpeto, me possua! Me invada! Me faça sua... só sua... tome posse do meu corpo e da minha alma. Entre e saia de mim com toda sua vontade, me deixe notar o quanto desejou isso, que sinto como uma necessidade. Ocupe cada espaço que você deixou vazio em mim... no meu corpo e no meu coração... Olhe nos meus olhos, quero tanto olhar para os teus. Me beije mais... quero tomar seus gemidos pra mim e lhe entregar todos os meus. Me aqueça... tem feito tanto frio... E enfim, quando for a hora, se entregue, se derrame... me receba... e não vá tão rápido, fique mais dentro de mim, para que meu corpo guarde a sensação de tê-lo mais uma vez, para que eu continue a sentir seu toque... Uma última vez, dê o último beijo... intenso, longo, sem pressa de dizer adeus, com vontade de ficar pra sempre! E por favor, não esqueça de dizer em meus ouvidos aquilo que você sabe tão bem... pra que sua voz continue a ecoar por todos os cantos da minha vida e do meu corpo... 

segunda-feira, 21 de abril de 2014

Projeção

Eu não podia mais ouvir meu coração. Eu precisava urgentemente fazê-lo se calar para que eu pudesse viver. Durante toda a semana ele me dominou e eu recusei cada convite que chegava, criando desculpas ou nem respondendo, ignorei cada elogio, me sentindo horrível, uma “velha incapaz de 33 anos”. E então me veio a raiva, sempre motivadora, senti raiva de mim e de toda a situação que eu causei, da dor que estava escolhendo viver todos os dias e dos momentos em que tentei criar uma falsa alegria. Não! Eu não precisava da solidão, do isolamento, do silêncio, eu precisava de um barulho ensurdecedor que fosse mais alto que meus pensamentos e desejos, eu precisava da multidão para ocupar meus olhos, eu precisava de algo que me mostrasse que eu era, ao contrário de como me sentia, uma “mulher atraente, madura, independente e desejada em seus 33 anos”.
Peguei o celular e respondi uma mensagem de um alguém que eu nem mesmo sabia o nome, já que havia o conhecido pelo nick em um determinado site. A mensagem perguntava quando podíamos nos conhecer, e eu mandei “que tal agora?”. A resposta veio imediatamente “Claro! Me passe o endereço!” Sugeri nos encontrarmos na cervejaria que guarda meu cantinho secreto, ao que ele também aceitou prontamente.
Eu já estava preparada, mais cedo, naquele mesmo dia, surgira um convite para um possível encontro ao qual eu muito desejava, eu havia decidido fazer uma surpresa e estava completamente “lisa”, eu precisava aproveitar, mesmo que não fosse como eu havia planejado.
Em meia hora eu deslizava a porta, entrando no ambiente agradável onde ele já me aguardava. Ele me conhecia por fotos e eu também a ele, e logo que me viu se levantou. Eu me aproximei e nos cumprimentamos com um beijo no rosto, sua mão forte em minha cintura, seu cheiro delicioso de homem. Ele era alto, bem alto, corpo forte, definido, mas sem exageros. Não aparentava os 35 anos que tinha, parecia ter bem menos, o rosto jovem emoldurado por uma barba crescida de poucos dias, bem cheia e espessa, os cabelos negros em desalinho, os olhos amendoados, expressivos.
Cumprimentei o amigo, proprietário do local, e apontando com os olhos para o meu cantinho escondido do outro lado de tudo, recebi seu sorriso cúmplice. Convidei aquele belo homem para me acompanhar e ele se divertiu ao notar que havia aquele espaço discreto e aconchegante, ideal para o momento.
O papo rolava agradável, enquanto saboreávamos as cervejas mais deliciosas, com sabores impressionantes e teor alcoólico também. Já estávamos bem “alegres” quando ele sugeriu sairmos dali para um lugar mais íntimo. Senti o coração disparado, mesmo sabendo antes mesmo de sair de casa, que essa era a real intenção daquele encontro e que eu já havia feito aquilo algumas vezes. Meu coração porém, ainda insistia em ter voz ativa, e me trazia um medo terrível de saber que iria para a cama com um super gato, mas com o pensamento longe dali. Então, mandei meu coração ir se ferrar, o que aliás ele faz tão bem, e respondi com um “claro” ao convite recebido. Seguimos no carro dele, e pelo caminho eu tentava tirar da mente tudo o que eu não deveria pensar, e só conseguindo piorando a situação.
Mal notei quando passamos pela portaria do motel e estacionamos na garagem. Ele abriu a porta do carro e eu despertei. Desci também, ele já tinha a mão estendida, esperando a minha para me conduzir pra dentro do quarto. Aquele cheiro que eu amava me tirou um pouco dos meus pensamentos e, quando eu respirava fundo ele me abraçou forte por trás, me virou em seus braços e me beijou. Eu me mantinha na ponta dos pés, sua mão esquerda pousava forte na base da minha coluna, enquanto a outra, em meu pescoço, deslizava pela minha nuca, entre meus cabelos, e voltava brincando com minha orelha. Sua língua quente invadia minha boca com desejo, me saboreando sem pressa, e eu adorava isso!
Sem nenhum esforço ele me pegou no colo e me deitou na cama ainda me beijando. Suas mãos agora percorriam o meu corpo. Ele beijava minha orelha delicadamente e roçava a barba em meu pescoço. Nesse momento eu conseguira calar completamente meu coração idiota, dando voz a outras partes do meu corpo. Sem pressa ele tirou minha blusa, seus dedos macios percorriam meu colo e a parte dos seios que estavam à mostra. Então ele se livrou da camiseta, desvendando a tatuagem, uma maravilhosa tribal tomava-lhe conta das costas, ombro e parte do peito. Desabotoou minha bermuda jeans e quando me inclinei para tirá-la, ele me disse com sua voz encorpada:
- Não! É tudo por minha conta! Você só tem que aproveitar e gozar pra mim até não aguentar mais.
Eu estremeci e então me entreguei. Como se tivéssemos todo o tempo do mundo, ele foi retirando cada peça de roupa e saboreando cada parte do meu corpo. Ele sabia bem onde e como tocar, e não deixava de me beijar e manter seu corpo o mais próximo do meu. Pele... contato... calor... isso me deixava louca! Eu já estava nua e ele também, seu corpo indicando que me desejava... e muito! Eu não era mais a “velha incapaz de 33 anos”, e sim a “mulher atraente e desejada de 33”, e isso me fazia sorrir. Então ele me olhou com os olhos faiscantes e disse, sussurrando:
- Agora eu vou me enfiar todo em você, quero estar dentro de ti, sentir seu calor, sua umidade... eu vou te deixar louca de prazer...
Dizendo isso, ele afastou minhas pernas e se colocou sobre mim. Com uma das mãos se guiou e começou a me invadir da mesma forma como fizera tudo até aquele instante, sem pressa, sem deixar de me tocar e me beijar. Ele roçava seu desejo na minha pele lisa, me invadia um pouco e tornava a se retirar, até que, de repente, de uma só vez, se colocou inteiro dentro de mim enquanto minhas mãos se agarravam em suas costas. Seu ir e vir era enlouquecedor, ele quase se retirava todo de mim e voltava com vontade, arremessando seu corpo contra o meu. Então me envolveu em um abraço e sem desgrudar seu corpo do meu, sentou-se na cama, me levando junto, mantendo as mãos em minhas costas e o meu corpo sobre o dele. Dobrei meus joelhos, minhas mãos apoiadas em seu ombro, e o cavalguei, completamente entregue ao nosso prazer, tocando seu corpo, roçando meus seios em seu peito e depois oferecendo-os para serem degustados por sua boca, o que ele fez com maestria. Aquela posição estimulava meu clitóris e eu já sentia os leves choques de um prazer louco se aproximando. O ritmo aumentara e nossas respirações soavam fortes.
- Você é uma delícia! Agora vem... goza comigo!
Eu não consegui responder, as mãos fortes dele desceram para os meus quadris, seus dedos cravados em mim, e então... então o “Big Bang”! O universo explodindo em pedaços de prazer. Eu o sentia vibrando dentro de mim, o orgasmo poderoso me fazia sorrir. Eu estava com um belíssimo homem que trabalhara meticulosamente para me proporcionar tamanho prazer, e ele também estava jorrando de prazer por mim, eu estava viva... e bem viva!
 Ele se levantou e me trouxe água. Sentou-se ao meu lado na cama, seus dedos deslizando pelos meus cabelos... ahhh, a paz! Como eu estava precisando daquilo. Queria me aninhar em seu colo, mas ele queria mais!
- Já recuperada princesa?
Não haviam se passado nem cinco minutos e ele me olhava com mais desejo ainda. Eu sorri, seus braços me envolveram e sua boca, mais uma vez, encontrou a minha. Eu queria enlouquecê-lo. Observei o mármore que adornava a cama, e que na cabeceira ficava bem acima do colchão. Era perfeito! Olhei para ele... me arrastei pela cama, de joelhos, apoiei as mãos no mármore, as pernas levemente afastadas. Ele imediatamente estava ali, suas mãos desciam vagarosamente pelas minhas costas, percorrendo todo o meu corpo, até chegar às minhas pernas. Seus dedos brincavam com meu desejo e eu já sentia o dele louco pra se cravar em mim.
Dessa vez, sem muita demora, ele me invadiu completamente, com força e vontade. Enquanto ele cuidava do vai e vem, eu me mexia, bailava com meus quadris, e ouvia seus sussurros e gemidos demonstrando todo o desejo que sentia. Vez ou outra suas mãos alcançavam meus seios, ou ainda tocavam levemente meu clitóris, estimulando mais o meu prazer. No quarto ecoava a voz de “kings of Leon”, na sugestiva “Sexo n fire”. Um vulcão ameaçava eclodir dentro de mim. Eu sabia que ele estava adiando ao máximo o seu momento, para que eu também estivesse pronta e... eu estava! Lancei meus quadris para trás, aumentando a velocidade e cravei uma das mãos em sua coxa. Ele entendeu o recado e me acompanhou. Em poucos segundos, uma nova explosão, nossos corpos pulsavam, o sangue sendo bombeado freneticamente, outro sorriso em meu rosto... talvez eu fosse uma “poderosa mulher de 33”, as coisas estavam melhorando.
Então ele saiu de mim, se recostou na cama e me colocou deitada sobre ele, a cabeça em seu peito ainda arfante. Levantou meu rosto e me beijou com carinho. Seus dedos voltaram a deslizar pelos meus cabelos... novamente aquela sensação maravilhosa de paz... aconchego... Meus olhos e meus lábios sorriam satisfeitos, e eu me sentia uma mulher deliciosamente desejada.


E que bom se eu realmente conseguisse... se a projeção se tornasse real!!!

quarta-feira, 5 de março de 2014

Brevidade

Hora da despedida. O portão que dava para a rua ficava em um corredor... nos beijávamos. Ele sempre apressado, e eu louca por brincar um pouquinho, fato que o deixava irritado e o fazia ir embora ainda mais rápido. Eu insistia com as provocações e, dessa vez, apesar das frases rotineiras de insistente despedida, ele fez o meu jogo. Me suspendeu em seus braços e me encaixou em si, entrando em mim com rapidez, por baixo do meu vestido... a gente sempre está pronto!

Indo além do que eu imaginava, me carregou até a moto, parada bem ali, sentou-me no banco sem sair de dentro de mim, e começou aquilo que sabia fazer tão bem... me deixar louca! Entrava e saia de mim enquanto a moto gemia por nós. Como era bom senti-lo ali dentro... tocar seu corpo, ver seu desejo e principalmente fazê-lo vibrar de prazer. Mais algumas idas e vindas e ele se derramava pra mim... e eu me sentia plenamente realizada por encontrar ali tudo e, muito mais do que eu poderia sonhar.

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Um caleidoscópio de sensações

Não posso, não quero, não devo!!!
A censura presente nos pensamentos de Desiree gritava abafada dentro de seu corpo. Sua mente encontrava-se em um caleidoscópio de sensações. Há muito não podia ser quem queria, sempre reprimindo vontades, calando sentimentos. Vivia à sombra das escolhas já definidas, imortalizadas no “sim” e na aliança que agora pesava e queimava em seu dedo. Por vezes sentia, como num estupro consentido, os devaneios proibidos a lhe invadirem as entranhas. Os desejos que tanto lhe tentavam, lutando por lhe rasgar todo e qualquer pudor da postura que superficialmente demonstrava ter.
Enfim, de tanto estar presente em seus sonhos, eles venceram! Seus desejos agora comandavam a situação. Desiree não sabia como, mas estava atravessando a porta rumo ao belo quarto que havia mais adiante. Pablo estava logo atrás... ela conseguia ouvir sua respiração, sentir seu calor. Mais alguns passos, ouviu o ruído das chaves na porta e depois batendo contra o vidro da mesa, despertando-a parcialmente da recriminação que viera experimentando pelo caminho.
Colocou a bolsa sobre uma cadeira e mal teve tempo de se virar; Pablo se lançou sobre ela num beijo arrebatador, forte, intenso. Ela sentiu-se desequilibrar, e ele a amparou, levando-a contra a parede, sem deixar de beijá-la. Seu corpo pressionando fortemente o dela, que recebia aquelas mãos quentes lhe despertando os mais loucos e reprimidos desejos.
Ela sentia os dedos de Pablo percorrerem suas costas, lhe causando deliciosos arrepios e, de repente, ainda mais ousados, escorregarem por suas pernas, roçando lentamente sua pele, levantando a saia e sem pudor invadindo sua calcinha. Passeou por sua virilha, seus pelos, e logo encontrou seu desejo pulsando, embebido pela excitação do momento. Com a mesma vontade despudorada, ele a invadiu, seus dedos se mexendo dentro dela, porém pouco se demoraram por ali, logo as mãos de Pablo estavam livrando Desiree de sua blusa, jogando-a longe, soltando seu sutiã, deslizando as alças por seus braços e deixando seus seios enrijecidos à mostra... ahhhh... Pablo era voraz, implacável... e logo tinha-os abrigados em suas mãos, acariciando-os, apertando, e deixando Desiree completamente louca.
Comprimiu seus lábios contra os dela, num beijo ardente, suas línguas se tocando, o corpo ardendo de desejo. Ele beijou seu pescoço, orelha... as mãos percorrendo cada parte dela. Abocanhou seu seio pálido e rosado, sua língua bailando sobre a pele macia. Voltou uma das mãos pra dentro da calcinha, a saia já havia caído ao chão. Seus dedos novamente deslizaram fácil para dentro dela, que custava a manter-se de pé. O calor da pele dele a invadindo e o desejo de que ele a possuísse imediatamente. Mas Pablo não tinha pressa e por algum tempo ainda, brincou com o corpo de Desiree, deixando-a inebriada e completamente envolvida naquele momento.
Ela subiu levemente a mão pelas costas dele, tirando a camiseta, deixando a pele quente de Pablo livre para que ela pudesse senti-lo. Ele, por sua vez, tomava conta do corpo de Desiree, tocando-a com as mãos e os lábios, enquanto rapidamente se livrou das peças de roupa que ainda restavam. Seus corpos grudados, o desejo aumentando ainda mais, assim como o calor e a vontade de ir mais longe.
Pablo segurou com força uma das pernas de Desiree e colocou-a em torno da sua cintura, mantendo a mão como apoio em sua coxa. Ele era rápido e com a outra mão, guiou-se pra dentro dela, que recebeu-o com um suspiro profundo, respiração acelerada, o corpo vibrando de prazer. Ele a dominava com vontade, força, mas também carinhosamente. Realmente estava no poder! Da situação e do corpo dela, que ardia em brasas de desejo.
Ele chocava-se contra a parede e contra Desiree, suas mãos nos quadris dela, impondo o ritmo. Ela o sentia duro dentro de si, se embrenhando em seu corpo em estocadas fortes que a faziam perder o ar. Então, ele a suspendeu no ar, levando-a até a mesa, pousando seu corpo ali, na altura perfeita para que ele continuasse com seu ir e vir enlouquecedor. Desiree se arrepiava com a respiração ofegante e quente de Pablo em seu ouvido, as mãos dele fincadas em seus quadris, por vezes subindo até suas costas e ainda roçando seus seios. Em pouco tempo parecia explodir de prazer...
- Tá pronta? Pronta pra ir comigo?

Era Pablo convidando-a para se entregar ainda mais.
- Sim...
Conseguiu sussurrar ainda, antes de ouvi-lo gemer de prazer e sentir seu corpo pulsando junto ao dela, em êxtase total.
Porem, Pablo era realmente insaciável e, da mesa, lançou-se com ela na cama. Sua boca quente iniciou uma sessão de beijos, no pescoço de Desiree, ombro, colo e seios, barriga, e logo com a mesma rapidez e voracidade, que vinha demonstrando, abriu as pernas dela e a chupou com vontade. Sua língua áspera passeando por sua virilha, invadindo-a e deixando-a ainda mais úmida.
- Feche os olhos e abra as pernas pra mim!
Ouvi-lo no comando da situação a deixava ainda mais excitada. Ela gostava de ser dominada, de obedecer e de ter alguém cuidando do seu prazer. E agora, estava estirada na cama, de pernas abertas para um desconhecido que lhe dava ordens, enquanto a possuía de maneira arrebatadora, e tudo o que conseguia fazer era gemer de prazer.
Sentiu ele se afastando de suas pernas, abriu os olhos e o viu ali, já tão próximo. Ele a beijou demoradamente, com pressão, até que ela sentisse seus lábios arderem... como isso era bom! E então, sem tirar os olhos dela, a penetrou devagar, até o fundo... ela mais uma vez permitindo que aquele estranho devasso invadisse seu corpo, como se fosse feito para estar exatamente ali, dentro dela, deslizando deliciosamente entre suas pernas, entrando e saindo, pulsando e se derramando dentro dela.
Pablo entrava forte, profundo, rápido. Desiree se abria para ele, deixava-o rasgar seu corpo em batidas intensas e incansáveis. Ele levantou um pouco o tronco, as mãos agora pressionando os joelhos dela, deslizando por suas pernas, tocando seu clitóris e fazendo-a enlouquecer. Enquanto roçava levemente o dedo por ali, também continuava com o ir e vir intenso sobre ela.
Naquele momento nada mais existia. Os dois estavam ali somente para dar e receber prazer. O mundo, o trabalho, os problemas não tinham espaço, tudo já estava preenchido pelos sons e sensações do momento.
Desiree já sentia os espasmos do prazer, arrepios, leves choques... Então as mãos de Pablo apertaram fortemente suas pernas... era o sinal!
- Vamos... vamos agora!
Novamente ele se derramou dentro dela, seus corpos banhados de suor, tremendo de êxtase.

Pablo desabou sobre ela, a respiração ainda acelerada, o coração batendo alto e descompassado. O homem dominador agora se rendia ao cansaço delicioso do momento, pousando sua cabeça sobre o corpo dela, enquanto ela mexia em seus cabelos molhados, sentindo o calor dele, daquele estranho que possuíra seu corpo com maestria e de uma maneira que jamais poderia esquecer. Estava livre!!!