sábado, 30 de novembro de 2013

Na sacada...

Jessy aguardava ansiosamente em seu novo e luxuoso apartamento a chegada da equipe de uma famosa revista para uma entrevista e sessão de fotos. Era assustador pensar no que se transformara em tão pouco tempo. Trabalhara durante muitos anos como revisora de textos em um jornal da cidade. Adorava escrever, era sua maneira de relaxar e expor seus pensamentos e, de repente, seus textos foram parar na mídia, transformando-se em um livro de grande sucesso. Já se apresentara em alguns programas de TV, dera entrevistas para jornais e revistas, mas tudo ainda era muito novo, estranho e assustador.
Despertou com o som da porta batendo, e a funcionária lhe chamando, já acompanhada da equipe da revista, uma jovem vestida em um clássico conjunto nude e o fotógrafo da revista a quem inicialmente não notara com muita atenção.
- Bom dia, Jessy! Sou Katy e esse é Ewan...
- Bom dia! Sintam-se à vontade... venha, vamos nos sentar...
Permitiu que a jovem se acomodasse no sofá para então realizar a entrevista. Eram sempre as mesmas perguntas... o que fazia antes de se tornar escritora, o que a inspirava a escrever, se convivia bem com o sucesso repentino... As respostas saiam automaticamente enquanto ela pedia em silêncio para que aquilo acabasse logo. Não se sentia bem com tudo isso, sem dúvida preferia se expressar usando as palavras escritas, no silêncio do seu quarto, dos seus pensamentos, da sua amiga e poderosa imaginação.
Respondia à entrevista e percebia pelos movimentos do outro lado da sala, que era fotografada, o que a deixava ainda mais incomodada. Então, enquanto Katy fazia mais uma daquelas perguntas, seus olhos pousaram em Ewan. Ele observava fixamente a tela de sua câmera, provavelmente avaliando as fotos já feitas. Sentindo que era observado, levantou os olhos de um castanho profundo ao encontro dos de Jessy. Ela sustentou aquele olhar, se esquecendo por alguns instantes da entrevista e de Katy que falava ao seu lado. Deixou seus olhos passearem por ele, seu corpo totalmente recluso na camisa azul e na calça jeans, cabelos despenteados, as mãos que seguravam a câmera. Por um instante de completa loucura, sentiu vontade de que aquelas mesmas mãos estivessem em seu corpo, ela desabotoaria vagarosamente cada um daqueles botões com uma das mãos, enquanto a outra estaria entrelaçada em seus cabelos.
- Como foi essa sensação Jessy?
Era Katy despertando-a de seus devaneios que não permitiram que ouvisse toda a pergunta.
- Desculpe, a sensação de...?
- De se tornar tão famosa em tão pouco tempo...
Ah, a fama! Nunca sonhara com isso, não gostava de ver sua imagem tão exposta, de não ter mais o anonimato de antes. A cada dia se sentia mais sozinha. Seus relacionamentos duravam pouco e sempre terminavam em grandes decepções.
Respondeu a mais algumas perguntas e então Katy agradeceu, encerrando ali o seu trabalho. Porém Jessy se surpreendeu ao ouvir a voz de Ewan...
- Ainda preciso de algumas fotos. Jessy... poderia me indicar alguns lugares do apartamento para fazê-las?
- Ah... sim, claro!
- Bem, eu preciso editar a entrevista e organizar a matéria para a revista, não posso esperá-lo, Ewan! Já é quase noite e tudo deve estar pronto amanhã!
- Tudo bem, nos vemos amanhã então, na redação.
Katy despediu-se e saiu rapidamente. Jessy que a acompanhava com o olhar, voltou-se para Ewan e se deparou com ele ali, bem próximo.
- Provavelmente esse apartamento tem uma bela sacada. Que tal fazermos as fotos lá?
- Sim, a sacada do meu quarto é ampla e tem uma vista linda da cidade. Vamos...
Jessy seguiu pelo apartamento com Ewan logo atrás, subiu o lance de três degraus, caminhou pelo longo corredor. Seu quarto ficava bem no fim dele. Abriu a porta indicando a ele que entrasse. O ambiente estava iluminado por um imponente lustre que pendia do teto e pela luz que vinha da rua, já escura com a chegada da noite. Os tons pastéis predominavam em todas as partes do quarto e havia um agradável aroma, proveniente de algumas velas acesas em um criado-mudo. 
Os dois atravessaram o quarto em silêncio e chegaram até a sacada. Uma brisa noturna soprava suave. Ewan parou no balaústre, observando a cidade que se descortinava à sua frente. Era realmente um segundo plano perfeito para algumas fotos. Máquina novamente em mãos, quebrou o silêncio...
- Poderíamos fazer as fotos com você apoiada nesse ponto da sacada, mostrando toda a vista que tem da cidade...
Jessy fez como indicado. Ewan fazia seus cliques de diferentes pontos e distâncias. Então se aproximou para um close. Enquanto fotografava, notava os traços de Jessy, seus olhos também castanhos, cabelos loiros, longos, que pendiam em suaves cachos. Baixou a câmera por alguns instantes e fitou seus olhos, ali tão próximos. Pousou o equipamento em uma pequena mesa lateral e se aproximou ainda mais. Enlaçou fortemente com uma das mãos a cintura de Jessy, e deslizou suavemente a outra até sua nuca. Em um passo, seus corpos estavam colados, olhos fixos... os lábios então cederam, unindo-se em um beijo arrebatador, úmido, quente, as línguas que se moviam em sincronia, numa suave aspereza. As mãos de Ewan passearam pelo corpo de Jessy, por baixo da blusa de tecido leve, tocando sua pele macia. O desejo tomava conta de ambos, fazendo com que se esquecessem do mundo, e vivendo aquele momento com intensidade.
O frescor do início da noite em nada diminuía o calor entre eles. Jessy, assim como havia imaginado durante a entrevista, desabotoou vagarosamente a camisa de Ewan, roçando os dedos por sua pele. Sentia prazer em tocá-lo e mais ainda em despi-lo. Ele também logo tirou a blusa dela, aumentando o contato e a vontade de possuir aquela mulher.
Enquanto se beijavam e se acariciavam, ele levantou a saia de Jessy, tocando suas pernas e aumentando a pressão do seu corpo contra o dela, que desceu suas mãos pelas costas de Ewan, chegando até o botão de sua calça, logo aberto, assim como o zíper a descer. Sem pudor, suas mãos buscaram a fonte de prazer de Ewan, notando que também era desejada. Ele fez o mesmo, tocando-a por entre as pernas, puxando a calcinha e invadindo-a com mãos mágicas. Seus dedos bailavam, brincando com a vontade de Jessy, deixando-a enlouquecida, ainda mais quente e molhada. Ela, tendo nas mãos o que desejava naquele momento, deslizou-o em suas pernas, ouvindo o forte suspiro de Ewan. Segundos depois ele desceu a calcinha de Jessy, que ainda se mantinha sob o salto de suas sandálias, e guiou-se para dentro dela, devagar, sentindo cada centímetro seu atravessando-a e encontrando o abrigo quente de seu corpo. Quando estava completamente dentro dela, segurou firmemente sua cintura, como se suas mãos fossem feitas para se encaixarem naquele exato lugar, e iniciou um vai e vem vagaroso e profundo.
Em seu ouvido, a respiração ofegante de Jessy, cada vez mais descompassada, era uma deliciosa melodia. Notar que lhe proporcionava prazer, o deixava ainda mais excitado. As luzes dos prédios vizinhos piscavam, com seus moradores em suas vidas corriqueiras, sem jamais imaginar a cena tórrida que ocorria em uma daquelas tantas sacadas.
Ewan aumentou o ritmo, sentindo o prazer total se aproximar. Jessy mantinha as mãos firmes em suas costas, às vezes passando para os braços, cada vez pressionando mais e também aguardando o momento de explodir junto com ele. Então, de repente, ele fez com que Jessy se virasse. Tinha à sua frente a linda vista escolhida para as fotos, as luzes da cidade, prédios, casas, a vida que acontecia. Mas não teve tempo para notar isso, Ewan já estava novamente deslizando entre suas pernas e voltando a preenchê-la. As mãos dele agora, abrigavam seus seios, os dedos passeavam na pele sensível, causando uma deliciosa sensação. O vai e vem ainda era profundo, mais forte e rápido.
A língua de Ewan passeava pela nuca de Jessy, ele afastava os cabelos dela, colados na pele pelo suor e às vezes alcançava sua orelha, causando um arrepio persistente. Ela, enquanto isso, acariciava a parte interna das coxas de Ewan, bem levemente, com as pontas dos dedos. Sentia o pulsar do seu coração ali tão próximo.
Ele desceu uma das mãos pelo corpo de Jessy, tocando seu clitóris suavemente, enquanto entrava e saía de seu corpo. Não ouviam os ruídos da cidade que ainda não dormira, e nem o movimento constante das pessoas voltando para suas casas. Era como se apenas os dois habitassem o mundo. Os olhos fechados para a realidade lá fora, os ouvidos sensíveis apenas aos suspiros um do outro. A vida naquele momento se resumia ao desejo que sentiam.
As mãos de Ewan passaram a segurar forte os quadris de Jessy, e ele a penetrava ainda mais fundo, a velocidade aumentando e chegando a um ritmo alucinante. Ela segurava na mureta do balaústre, oferecendo seu corpo para Ewan. Sentia suas mãos ainda mais fortes em sua pele, a respiração quente em seus ouvidos e um breve sussurro...
- Vai Jessy, agora!
A voz firme de Ewan caiu como uma bomba em seu corpo, que explodiu em mil pedaços de total prazer. Ewan também se derramou dentro dela, sentindo seu corpo todo pulsar. Permaneceu ainda alguns minutos ali, seus braços envolvendo o corpo de Jessy, seus lábios tocando sua pele, no pescoço, nas costas... Ela, com delicadeza, afastou seu corpo, fazendo com que seu espaço estivesse novamente vazio. Virou-se para Ewan, observando seus olhos que ainda ardiam de desejo. Ofereceu seus lábios para um beijo. Ele a envolveu em um abraço forte, quente, protetor. Pegou-a nos braços, causando surpresa e provocando risos. Carregou-a até a cama espaçosa e macia. Os dois se lançaram ali, numa noite de desejos insaciáveis, enquanto a vida seguia seu curso lá fora...

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