quarta-feira, 1 de maio de 2013

Eva e Ryan


O belo carro com os vidros escuros, impedindo o reconhecimento dos seus passageiros, acabara de ser estacionado na garagem do prédio bancário. O motorista abrira a porta permitindo a Eva sair do veículo. Detestava ter que resolver seus assuntos financeiros, pagava aos seus representantes para que fizessem esse trabalho, porém algumas transações necessitavam da sua presença física e não apenas a assinatura. Atravessou o grande hall de entrada, deixando uma leve brisa do seu delicioso e marcante perfume. Subiu com o elevador até o andar da sala privativa onde já era aguardada. A porta do elevador abriu-se, Eva foi recebida pela secretária com um sorriso de admiração e inveja. Era isso que mais a perturbava quando precisava sair, notar sorrisos forçados que escondiam outros sentimentos. Ninguém sabia o quanto havia batalhado para conseguir a posição que tinha hoje, desejavam ter sua fama e fortuna como se fosse um golpe de sorte da vida, mas não era.


            Atravessou mais um corredor, acompanhada da secretária.

            - Senhorita Eva, o gerente responsável por sua conta foi transferido para outra unidade bancária, vou apresentar-lhe seu novo gerente.

            - Mas Ethan estava inteirado de tudo sobre meus assuntos financeiros. Não quero ter problemas por conta de um novo gerente.

            - Fique tranquila, o Sr Ryan já analisou todas as suas contas e demais aplicações. A senhorita não terá nenhum contratempo.

            - Assim eu espero!

            A porta da última sala foi aberta para que Eva entrasse. A secretária avisou que Ryan estava na sala anexa, buscando a documentação necessária e pediu que se sentasse, retirando-se imediatamente e fechando a porta. Em seguida Ryan surgiu, os olhos percorrendo os papéis que tinha nas mãos. Não notou a presença de Eva de imediato. Ela observou seu belo corpo, bem definido, braços fortes que ocupavam perfeitamente as mangas da elegante camisa em tom azul claro. Se remexeu na cadeira provocando um ruído que despertou a atenção de Ryan.

            - Bom dia, senhorita Eva, desculpe-me, não notei sua presença.

            Eva acompanhou sua boca em perfeitos contornos se movimentar e estremeceu com o som aveludado da sua voz. Realmente era um homem interessante.

            - Bom dia! –respondeu tentando parecer calma e disfarçando seu interesse imediato.

            - Bom Srta Eva, aqui está toda a documentação da transferência entre as duas contas, conforme foi solicitado.

            - Por favor, me chame apenas de Eva... onde devo assinar?

            - Confira os valores e assine na linha pontilhada e também no verso.

            Ryan iniciou uma série de explicações sobre a documentação, os valores, o que renderiam, mas Eva apenas o observava. De repente começou a imaginá-lo mais próximo. Seus lábios paravam de falar e passavam a beijá-la com intensidade. Suas mãos deixavam a caneta e estavam passeando por seu corpo. Sua camisa daria lugar à sua pele, revelando seu corpo ali junto ao dela...

            - Tudo correto Eva?

            - Ah, sim... claro. –Ryan a despertava de seus devaneios.

            - Ótimo! Mais alguma coisa em que eu possa ajudar?

            - Não... mais nada, obrigada.

            Precisava levantar-se para se despedir, mas seu corpo estava flutuando. Mexeu levemente a cabeça, tentando espantar aquelas fantasias. Pegou a bolsa e ficou de pé. Ryan já estava ao seu lado. Ofereceu a mão para um cumprimento de despedida. Eva retribuiu e sentiu uma corrente de energia percorrer seu corpo ao tocar as mãos de Ryan.

            - Tenha um bom dia, Eva!

            - É... só mais uma coisa... Ethan, meu outro gerente, costumava atender-me em casa, no meu escritório, para evitar confusões com os fãs e a imprensa e... –foi interrompida por Ryan:

            - Ah, sim, claro! Fique a vontade para quando precisar.

            - Que ótimo... bom dia Ryan! E obrigada!

            Ryan apenas acenou de leve com a cabeça, abrindo a porta para que Eva saísse, deixando a sala impregnada com seu perfume e sua forte presença. Ele, por sua vez, não pode deixar de notar a beleza daquela mulher, a pele rosada, o corpo bem torneado, realmente era muito bonita, elegante, desejável e totalmente envolvente. Era preciso ter cuidado para não desejar uma relação com aquela mulher que não fosse estritamente profissional. Mas isso já era o que desejava.

            De volta em sua casa, Eva não conseguia parar de pensar em Ryan. Estava envolta em suas fantasias quando Phil bateu na porta do quarto, entrando em seguida.

            - É Dave no telefone.

            - Ah! Diga que não estou, ou que estou ocupada.

            - Eva, ele ligou a manhã toda, melhor atendê-lo.

            - Tudo bem...

            Pegou o telefone contrariada.

            - Alô... o que foi Dave?

            - Onde você estava Eva? Estou tentando falar com você a manhã toda!

            - Precisei resolver alguns problemas. Mas o que foi?

            - Hoje à noite é a festa beneficente na casa do Sr e da Sra Spencer. Precisamos estar lá e juntos! A que horas passo aí?

            - Puxa... havia me esquecido! Vou com o motorista, passo aí às nove!

            Desligou o telefone sem se despedir e chamou Phil, que logo estava a seu lado.

            - Por favor, preciso que você organize tudo para a festa beneficente de hoje à noite.

            - Sim, Eva...

            ...

            A bela mansão estava totalmente iluminada. O motorista seguiu pela entrada, levando Eva e Dave até a recepção. Muitos convidados já haviam chegado. Eva desceu do carro, deslumbrante, em um longo vestido nude com fios dourados. Ao seu lado, Dave aproveitava a fama de sua acompanhante para conseguir destaque na mídia. Foram levados até a mesa reservada para o casal. Logo o garçom se aproximou com a garrafa de champagne, servindo os dois e deixando-a sobre a mesa. O silêncio reinava entre os dois... Dave por ser um homem supérfluo, sem assunto, e Eva por não conseguir parar de pensar em Ryan.

            Logo a anfitriã subiu em um palco, agradeceu a todos pela presença e deu início à festa. Primeiramente dois jovens cantores, homem e mulher, se alternavam cantando suaves canções. Eva percorria os olhos pelo salão quando de repente avistou Ryan. Fechou os olhos, pensando ser apenas sua imaginação, mas quando voltou a abri-los ele continuava lá. Ryan sentiu que era observado e logo encontrou os olhos de Eva. Mexeu os lábios em um oi e ela lhe retribuiu com um tímido sorriso. Alguém ao microfone anunciava o início do leilão. Eram várias obras de arte, entre pinturas e esculturas. Eva mantinha o corpo ali, sentado, mas seus pensamentos, seus sentidos estavam em Ryan. O barulho das pessoas animadas com os lances passava desapercebido.

            - Eva... não vai ofertar nenhum lance?

            - Lance? Ah... sim, vou.

            O homem no palco, distintamente vestido, segurava um belo quadro, mostrando um lindo jardim com um flamboyant bem ao fundo. Ele iniciou o lance. Alguém aumentou... outro... mais um. Eva então dobrou o lance. Silêncio geral seguido da frase comum a indicar que o quadro agora pertencia a ela.

            - Pronto Dave, já aparecemos o bastante, agora me deixe em paz!

            Dave observou Eva. Ele não se importava com nada, só queria usá-la para alavancar sua carreira. Avistou alguns amigos do outro lado do salão e foi até lá. A música voltara e agora, belas valsas invadiam o ambiente. O garçom se aproximou, deixou nova garrafa de champagne e depositou ainda, do lado do copo de Eva, um pequeno papel dobrado. Ela voltou-se para ao garçom para perguntar-lhe o que era aquilo, mas ele já havia se afastado. Observou à sua volta... todos distraídos com a música ou envolvidos em conversas. Desdobrou o papel com cuidado e leu a frase escrita em belas letras: “Você está linda! É sem dúvida a mulher mais deslumbrante da festa. Quem sabe não me conceda a gentileza de uma dança?” Observou a assinatura com o coração disparado... “Ryan”. Procurou por Dave, que estava junto de seus amigos, tão desinteressantes quanto ele. Achou engraçado pensar que estava gostando daquele homem que nada tinha para oferecer além da sua beleza física. Estava tão ou mais vazio que ela mesma. Então procurou por Ryan entre a multidão de mesas e pessoas, até que seus olhos se encontraram. Ele sorria, se divertindo com a situação. Eva também sorriu. Viu Ryan se levantar e se aproximar, lhe entregando uma pequena e delicada flor.

            - Para a mais bela mulher que pude observar essa noite! Vai aceitar meu convite?

            - Claro, depois de toda essa gentileza...

            Os dois então passearam pelo salão, dançavam como se há muito se conhecessem. Por vezes seus olhos se encontravam, seus corpos trocavam calor, energia. O mundo ao redor havia desaparecido. A música dera espaço ao ruído dos convidados, uma breve pausa. Para Eva foi como se acordasse de um sonho, caindo na realidade. Assustou-se, olhou para Ryan e depois procurou por Dave. Ele continuava entre seus amigos. De repente se viu sendo levada por Ryan para o imenso jardim. Sem reação, apenas o seguia. Logo se viu sob um flamboyant idêntico ao do quadro leiloado.

            - Ryan, o que estamos fazendo? Preciso voltar, e se Dave...

            - Eva! Dave está envolvido com seus amiguinhos, nem notará sua falta. Vamos aproveitar um pouco essa bela noite.

            E dizendo isso, envolveu-a em seus braços, beijando-a com ardor. Eva sentiu seu corpo se incendiar. Nunca experimentara aquela sensação. Queria ficar ali para sempre. Ryan despertara seus sentimentos mais profundos.

            - Eva, vamos sair daqui...

            - Não posso Ryan! As pessoas irão notar.

            - Estão ocupadas demais se exibindo e às suas fortunas. Venha, vamos no meu carro.

            Não conseguiu mais resistir. Seguiu-o.

            Eva não sabia como, mas já estava na garagem, portão fechado, observando a entrada do quarto. Ryan deu a volta no carro, abrindo a porta para que ela saísse. Sentia as pernas tremerem, coração disparado, respiração descompassada. Nenhum homem ainda havia lhe despertado tantas sensações. Ryan tinha atitude, tomava as iniciativas, e isso era tudo o que Eva vinha procurando, um homem de verdade. Estava cansada de carregar seus relacionamentos sozinha... Além disso era gentil, mas sem excessos. Ele fechou a porta, depositou as chaves do carro na mesa e seus olhos se voltaram para ela. Aproximou-se, pegou suas mãos macias e então a abraçou. Um abraço forte,

envolvente, aconchegante. Eva sentiu vontade de chorar, de repente uma sensação de segurança a invadia. Pensou que nunca havia recebido um abraço tão quente e que a fizesse se sentir tão especial, desejava ficar ali por uma eternidade! Ryan segurou seu rosto com carinho e a beijou com todo o desejo e ternura. As mãos dele agora, percorriam seu corpo como ela havia imaginado no primeiro encontro, no banco, e a sensação era muito melhor do que sua imaginação pudera produzir. Seus lábios passeavam por seu pescoço, sua orelha e ela ouvia a forte respiração dele, o que lhe causava arrepios e aumentava ainda mais seu desejo. Sentia seu corpo esquentar com o calor vindo de Ryan e se esforçava por se controlar e aproveitar o carinho que aquele homem lhe oferecia.

            Vagarosamente ele desceu o zíper do vestido de Eva, percorrendo suavemente com os dedos todo aquele caminho. Escorregou as alças pelos braços dela e o vestido deslizou fácil ao chão. Ryan se abaixou, tocando as pernas de Eva, retirando o vestido e sapatos. Ela sentia tanta vontade de ser amada por aquele homem que desejava estar logo na cama, mas também sentia o quanto era bom todo aquele carinho. Desabotoou a camisa dele e pousou suas mãos em seu corpo quente e forte, suspirou fundo. Ryan sorriu e a conduziu até a cama. Ela não conseguia explicar como ele conseguia acender-lhe todo o seu desejo... era tão forte... tão incontrolável e claro, tão bom!

            Ryan beijava cada parte do corpo de Eva, era extremamente carinhoso, sabia como enlouquecer uma mulher. Quem visse o sério profissional em seu escritório, jamais imaginaria sua sensibilidade. Seu toque tinha a suavidade e a força ideal, causava arrepios... Eva sentia seu calor, seu corpo, sua respiração, seus lábios e mãos passeando por ela. De repente se afastou um pouco, percorreu com os olhos todo o corpo dela, parou em seus olhos, mergulhou neles...

            - Eva... você é linda... e está me enlouquecendo!

            - Não Ryan, você é quem está me deixando louca... louca de vontade de senti-lo bem dentro de mim...

            Despiram-se então com voracidade, Ryan se encaixou entre as pernas de Eva, continuava beijando seu pescoço, seu colo, seios... enquanto a preenchia num ir e vir vagaroso, e depois forte, rápido, indicando que se aproximavam do prazer total. E então num profundo suspiro, se presentearam... com um leve sorriso bordando suas faces, relaxaram sobre a cama. Eva observando ainda com carinho aquele homem, pensando em tudo o que acontecera. Notara tão só agora a tatuagem que adornava suas costas e que combinava tão bem com seu corpo, deslizava seus dedos por ela, pelos braços dele e se sentia a mulher mais feliz do mundo. Ouviu então seu celular tocando dentro da bolsa, levantou-se com cuidado, para não acordar Ryan, que suspirava ao seu lado. Era Dave... não atendeu, desligou o aparelho e voltou para a cama, queria esquecer que existia um mundo lá fora!

            Eva acordou em um salto, dormira de repente, por alguns minutos. Ryan estava lá, ao seu lado, os belos olhos que a observavam:

            - Eu ficaria toda uma vida aqui, só te observando...

            - Pois eu jamais permitiria que perdêssemos tanto tempo apenas nos contemplando, com tantas coisas pra se fazer...

            - Ah, é... como o quê?

            - Um delicioso banho... pra começar... o que acha?

            - Perfeito... só um minuto que eu mesmo prepararei tudo

            Ryan desfilou seu belo corpo pelo quarto, e logo voltou. Para surpresa de Eva, pegou-a no colo, sob protestos e se encaminharam para o amplo banheiro, que possuía uma banheira linda, adornada por belas flores, a espuma cobria toda a água e o aroma era delicioso. Eva não conseguia parar de rir, achando aquilo tudo fantástico. Ryan colocou-a na água, que estava na temperatura perfeita e entrou em seguida, ficando de frente para ela. Seus olhos não se desgrudavam e transmitiam todo o desejo que ainda havia em cada um. Eva então se levantou e se aproximou, beijando-o com toda a intensidade daquele momento. Ele, com as mãos em sua cintura, a trouxe para ainda mais perto, acomodando-a sobre suas pernas. “Preciso respirar”, pensava ela, sentindo que não havia espaço para o ar dentro de si, todo tomado por tantas emoções. Com a força que ainda possuía, grudou suas mãos nos braços dele e em um breve movimento tinha novamente Ryan dentro de si. O amava com tanta loucura que era como se nunca mais fosse vê-lo, tinha medo de que aquela noite terminasse e que tudo aquilo não voltasse a acontecer novamente. Se mexiam junto com a água, numa dança de corpos, bocas, mãos, e que a cada momento alcançava um ritmo diferente.

            - Eva... eu...

            Eva não permitiu que Ryan completasse a frase, calou suas palavras com um beijo profundo e juntos, mais uma vez, chegavam às estrelas...

 

 

Puxa... achei que não ia conseguir postar mais até as férias! Que correria! Eva e Ryan ficaram esperando por um bom tempo. Mas, de repente, uma onda de romantismo me invadiu e corri para terminar mais um trechinho dessa história, que por enquanto está mesmo mais doce do que apimentada!!! Beijinhos... Jaque.

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