terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Teclas de Prazer

Era dezembro, e o clima de fraternidade em nada colaborava com Tasha. Já estava cansada daquela situação, a solidão era sua frequente companhia. Não tinha mais forças para competir com tantas outras coisas e sempre perder a batalha; o trabalho, os filmes, as malditas lutas de Gregor, que não tinham fim. Resolvida a colocar em prática sua maternidade, perdera por dois meses seu período fértil para o tal esporte idiota e isso lhe doía imensamente. Se sentia a mulher menos atraente de todo o mundo! Acordar e se olhar no espelho depois de incessantes pedidos para sumir, era pesaroso. Chorava, se flagelava com seus pensamentos. Tantas vezes tentara sair daquela relação que mais lhe machucava do que fazia bem, mas nunca conseguia, se sentia presa ali. 

Foi num desses desastrosos dias que aquela estranha ideia lhe viera à mente. “Por acaso não ouvira falar em um site de relacionamentos “obscuros e secretos” (pra não dizer de traição, porque a ideia a assustava demais!)? Sim, isso mesmo! Correu e procurou a revista com a tal matéria; estava ali, bem na capa. Uma única palavra martelava seus pensamentos por questões de segundos: “Será?” Realmente poucos segundos... quando percebeu já havia preenchido seu perfil, estava recebendo mensagens e logo conversando com tantas pessoas pelo mundo todo. De repente uma alegria cristalina tomou conta de Tasha... sim, era desejada! E não estava falando de amor ou paixão, era mesmo só desejo o que queria, carnal! Até colocara em prática o Inglês guardado nas gavetas da memória para conversar com um australiano. Amava a Austrália! Achava um lugar fascinante! Ah! Como era divertido, estava flutuando... a ideia de algo que lhe trouxesse o mínimo de perigo a excitava completamente, sempre fora assim, se envolvia em aventuras extraordinárias e ali, pensando um pouco, notara que há muito havia abandonado os riscos... maiores emoções... se esquecera de quão deliciosa era aquela sensação, de como fazia seu coração palpitar, a respiração descompassada, o calor agradável por todo o corpo. 

Era preciso cuidado! Não para que não fosse descoberta, talvez isso nem importasse mais. Porém sabia bem que quando se envolvia em algo, perdia completamente a razão, se entregava totalmente, e depois, bem... convivia com suas decepções! Tinha medo... um enorme medo de si mesma! A falta de controle era o monstro que lhe assombrava sempre. Lembrava-se do primeiro namoradinho na escola, das cartinhas de amor, do ciúme, sempre seu companheiro, (agora um tanto já dominado), e de quando ele se foi e Tasha passou um ano chorando, todos os dias, relendo aquelas cartas! Isso aos 10 anos! Não sabia se agora aos 32 isso estava da mesma forma, ou ainda pior! 

As conversas e mensagens consumiam seus dias e faziam com que fossem menos entediantes. Esse era o grande problema das férias, o nada presente em todos os momentos, o grande espaço vazio! De repente o nada dera lugar a algo tão bom... Recebia convites, elogios, alguns bem respeitosos, outros bem provocantes, e aliás, eram os melhores! Era aquilo que procurava. 

E então, naquela brincadeira toda, encontrou Bradd. Trocaram fotos, contatos e assim como já acontecera antes, com os outros que conhecera através do seu querido e agora extremamente necessário notebook, conversavam... “trânsito ruim, relacionamentos pessoais, a razão de estar ali naquele site, profissões, clima, festas de fim de ano...” Foi então que notou de repente, ao se despedir de mais um bate papo, em que passara uma hora conversando sobre banalidades, que ao contrário dos demais, Bradd era diferente, ia devagar, talvez sem nenhum interesse mesmo... “te agarrar, te beijar, seios, pernas, suspiros, lambidas, sussurros, dar prazer” nada disso aparecia naquela conversa que ela agora analisava frase por frase. Aos poucos foi surgindo alguma intensidade entre os fios que os ligavam. Bradd a fez relembrar bons momentos ao perguntar sobre lugares inusitados em que havia transado; o caminhão velho do pai de um namoradinho, a festa com toda aquela multidão, e Bryan... ah, como era bom e doloroso se lembrar de Bryan. Com ele tivera seu primeiro e último “orgasmo orgástico”! Nunca mais experimentou aquela sensação de ir até a lua e voltar, vagarosamente, sem forças, com um leve sorriso estampado no rosto. E pensar que tantas mulheres morriam sem saber que aquilo realmente existia. Entre Tasha e Bryan, havia uma ligação perigosa, não podiam se ver, as chamas se acendiam com fúria, ela não conseguia se controlar, era enlouquecedor! Seu espírito aventureiro e descompromissado de um típico sagitariano a fazia subir pelas paredes e ia contra sua mania de controle, já que jamais conseguiria dominá-lo e impor suas vontades, ao contrário disso, ele a dominava! Quando se separaram pelos caminhos da vida, Tasha passou a ter a estranha mania de perguntar o signo das pessoas, não que acreditasse muito naquilo, mas a separação de algo que nunca teve realmente a fez sofrer demais, se afastava dos sagitarianos. E foi então que teve um clique...Não podia ser! Conferiu o perfil de Bradd no site, sim! Como não percebeu antes... ele também era um típico sagitariano e agora, ela conseguia notar as mesmas características nele... Um arrepio começou pelos longos cabelos e desceu por todo o seu corpo. Talvez fosse essa a razão daquela estranha e poderosa atração que começava a sentir. Um pensamento forte chegou e aumentou aquele arrepio que parecia não ter fim “subir aos céus novamente?” Não que não tivesse prazer sexualmente, claro que tinha, mas jamais da mesma forma que com Bryan. Por mais que tentasse, fantasiasse, aquela explosão não acontecia! 

Tasha agora convivia com seu medo o tempo todo, advertindo-a, repetindo em seus ouvidos “controle-se”. Infelizmente era tarde! Não havia mais controle... Quando o aviso no canto da tela indicava a presença de Bradd, sentia um tremor que a assustava, mas que também a excitava. “Bradd entrou” mexia com a sua imaginação, via-o entrando realmente... pela porta, no quarto, na cama, sofá, no chão, entrando em seu corpo quente, que clamava urgentemente por tudo aquilo. Queria muito essa loucura. Cada frase provocante descompassava todo seu organismo, respiração, coração, sentia o pulsar úmido vindo lá de baixo, onde tudo parecia pronto para recebê-lo, a vontade de estar nos braços dele, de sentir seu corpo, seu cheiro... Como isso era possível, ainda nem haviam se visto... estava sentindo prazer por frases em um computador!!! Levava o notebook para o banho e, pelo vidro, observava a tela... cada mensagem era um toque, sentia Bradd a puxando com força para si, roçando seu corpo e de repente, num suave soluço, a penetrava... a água, a espuma, o vai e vem, custava ficar de pé, suas pernas tremiam sem forças, não queria acordar daquele sonho... nunca mais!
Os dias de Tasha agora transbordavam de tesão por Bradd! A todo momento, em qualquer lugar, se lembrava dele, sentia suas mãos, sua pele, sua respiração quente bem ali, e então aquele arrepio que já se tornara constante tomava conta de seu corpo. Se perdia no trânsito e na própria casa, se sentia tonta, embaraçada... a cabeça cheia de fantasias... Às vezes colocava alguma em prática, tirava fotos e mandava para Bradd na tentativa de provocá-lo. Queria que ele sentisse uma gota de toda aquela louca vontade que tomava conta de tudo. De repente seus dias de férias se tornaram animados, tentava controlar a ansiedade, mas estava impossível! Queria ficar plugada nele o dia todo. Não tinha mais sono, rolava na cama, abraçava o travesseiro, e novamente mais fantasias, nada a distraía e nem tirava aquela sensação, aquele arrepio, aquele tremor, um prazer constante... Em muitos momentos, o medo a assombrava demais... estava totalmente envolvida, sabia que não devia ser assim, mas, puxa!!! Era realmente impossível se controlar, tentava de tudo, saía de manhã pra correr na rua, ia para a academia, pegava um livro para ler... em tudo encontrava Bradd. De súbito, os personagens do best seller se tornavam eles. Porque resolveu ler justamente um romance erótico? Já não estava excitada por demais? A mocinha suspirava, Tasha gemia baixinho... aquele desejo da personagem pelo atraente jovem era quase como o seu desejo, porém, ela queria ainda mais a Bradd... 

Quando ligaram a cam e Tasha pode ver Bradd, as coisas se complicaram ainda mais. Os olhos... Bradd tinha um olhar doce e malicioso... Às vezes entre brincadeiras e provocações ele quase os fechava, e ela sentia algo inexplicável... desejo, ternura, e mais tremores e arrepios. Era capaz de ficar assim o tempo todo, sem tirar seus olhos dos dele, sem dizer nada, sem fazer nada... 

Quando precisavam se despedir, Tasha ainda permanecia bons minutos em frente ao computador, olhando para a tela vazia, o nome de Bradd como offline, num misto de dor, saudade e êxtase, e quando por alguma razão ele voltava e perguntava “ainda aí?”, era surpreendida pela alegria e por uma pequena vergonha em saber que estava ali sim, torcendo pra que ele voltasse, com tantas outras pessoas com quem podia conversar, mas não era isso o que queria, não tinha vontade falar com mais ninguém... só queria Bradd... 

Sonhava acordada com o momento em que realmente se encontrassem, fora daquela tela fria... podia sentir a energia vinda de longe quando ele surgisse, sua voz, um abraço, suas mãos, seu corpo inteiro ali, junto ao dela. Para onde iriam??? Que importava! Só queria saber de arrancar sua roupa, colar em seu corpo, senti-lo por inteiro e em cada pedacinho... Não via chegar o momento em que Bradd a tomaria nos braços e a possuiria, extravasando tudo o que estava guardado, queria fazê-lo sentir todo o prazer possível, seria capaz de tudo pra isso. Podia ver a si mesma, agarrada aos braços daquele a quem tanto desejou, cavalgando seu corpo, tocando sua pele, seu quadril totalmente encaixado ao dele, movimentos fortes, profundos, ele a invadia e ela o queria ainda mais numa vontade que não tinha fim... Ah, a lua... como era bom visitá-la novamente, tinha se esquecido dessa sensação... há tanto aguardava esse momento... 

Infelizmente ainda era só um sonho... mas sabia que já era muito!!!! Bradd tinha devolvido a Tasha o gosto pela aventura, pelo perigo, ela agora carregava um arrepio constante em seu corpo, que nunca cessava... sentia-se novamente uma adolescente, esquecendo completamente a rotina da sua vida... Bradd era um pensamento fixo, não a deixava dormir, e ela na verdade, gostava disso... ele a fazia se sentir desejada... e mais ainda, despertara também um desejo tão profundo e forte que tomava conta de cada pedaço de seu corpo. Tasha estava pronta para Bradd...

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